Estados Unidos retomam Doutrina Monroe e anunciam foco militar na América Latina
Em meio a tensões com Venezuela, governo Trump apresenta nova estratégia de política externa que promete 'restaurar supremacia' no território latino-americano
O governo de Donald Trump apresentou nesta sexta-feira (05/12) uma nova estratégia de política externa que visa intensificar suas políticas intervencionistas na América Latina, concentrando a sua presença militar no continente, além de reforçar o combate à imigração. A decisão representa uma mudança significativa na postura global adotada pelos Estados Unidos.
O documento intitulado “Estratégia de Defesa Nacional”, de 33 páginas, dentre assuntos que abordam Europa e Ásia, promete um “reajuste de nossa presença militar global para enfrentar ameaças urgentes em nosso hemisfério, afastando-nos de teatros cuja relevância relativa para a segurança nacional norte-americana diminuiu nas últimas décadas ou anos”. Destaca ainda que o foco prevê “restaurar a supremacia norte-americana” na América Latina.
A nova medida ocorre em meio à mobilização militar no Caribe e uma escalada de tensões com o governo venezuelano de Nicolás Maduro, com quem recentemente Trump teve uma conversa por telefone, mas que nenhum acordo se foi consolidado. O tema sobre o suposto combate a cartéis de drogas, que tem sido usado por Washington como pretexto para justificar os ataques à Venezuela, mira agora a América Latina, conforme incluído no documento.
Nesse sentido, são delineados três elementos principais no realinhamento militar: uma presença mais adequada da Guarda Costeira e da Marinha para controlar as rotas marítimas, empregos direcionados para proteger a fronteira e derrotar cartéis, e estabelecimento ou ampliação do acesso em locais de importância estratégica.
Destaca-se que o texto menciona a retomada da Doutrina Monroe com o objetivo de “restaurar a predominância norte-americana” na região.
“Negaremos a competidores de fora do Hemisfério a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos de importância estratégica em nosso Hemisfério”, aponta o documento, de modo que os Estados Unidos querem reforçar a sua influência na América Latina e reduzir ao máximo a presença de países não-ocidentais. A China, por exemplo, é o país não-ocidental mais influente da região, possuindo laços comerciais com diversos países latino-americanos. É, inclusive, o maior parceiro comercial do Brasil.
O governo Trump reconhece, porém, que “será difícil de reverter” a influência de algumas nações sobre o continente em questão, mas que apostará no aspecto de que, muitas vezes, tais relações são guiadas mais por interesses comerciais do que por alinhamentos ideológicos.

Governo Trump divulga “Estratégia de Defesa Nacional” e retoma Doutrina Monroe sobre América Latina
Fotos Públicas/Joyce N. Boghosian
A nova estratégia reforça ainda a política anti-imigração de Trump na região, buscando fazer do controle de fronteiras “o principal elemento da segurança norte-americana”. Reitera que “a era da imigração em massa deve acabar. A segurança das fronteiras é o principal elemento da segurança nacional”.
“Iremos alistar amigos já estabelecidos no hemisfério para controlar a migração, interromper o fluxo de drogas e fortalecer a estabilidade e a segurança em terra e no mar. Também iremos expandir, cultivando e fortalecendo novos parceiros, ao mesmo tempo em que reforçamos o apelo de nossa própria nação como o parceiro econômico e de segurança preferido do Hemisfério”, afirma.
(*) Com Ansa
























