Sábado, 24 de janeiro de 2026
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As negociações para um acordo de exploração de terras raras do Brasil pela União Europeia (UE) estão avançando, anunciou nesta sexta‑feira (16/01) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Von der Leyen fez a declaração durante visita ao Rio de Janeiro para celebrar o tratado de livre comércio com o Mercosul , citando “projetos conjuntos de investimentos em lítio, níquel e terras raras” – recursos, segundo ela, essenciais para a “independência estratégica” dos europeus.

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“Isso [a exploração de terras raras] é essencial para a nossa transição digital e limpa. E também para nossa independência estratégica em um mundo onde minerais tendem a se tornar um instrumento de coerção”, afirmou a chefe do bloco europeu.

A sinalização de Von der Leyen vem num momento em que os Estados Unidos de Donald Trump, numa tentativa de romper o domínio chinês sobre o setor de terras raras, também cobiçam os minerais brasileiros.

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Sob Trump, os EUA também têm ameaçado tomar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca igualmente rico em terras raras. As pretensões da Casa Branca alarmaram os europeus, que chegaram a enviar soldados à região.

Por que as terras raras são tão importantes?

Terras raras são ingredientes essenciais em todos os tipos de produtos de alta tecnologia, incluindo smartphones, laptops, carros híbridos, turbinas eólicas e células solares, entre outros. Também possuem aplicações importantes na defesa, como motores de caças a jato, sistemas de orientação de mísseis, defesa antimísseis, satélites espaciais e sistemas de comunicação.

Elas são usadas na produção de ímãs que mantêm suas propriedades magnéticas indefinidamente sem necessidade de energia externa.

Segundo Von der Leyen (de verde), terras raras são essenciais para ‘independência estratégica’ dos europeus, já que ‘tendem a se tornar um instrumento de coerção’
Bruna Prado/AP Photo/dpa/picture alliance

Apesar do nome, as terras raras são abundantes na crosta terrestre, algumas até mais comuns que substâncias como cobre, chumbo, ouro e platina. Mas as concentrações disponíveis não costumam ser altas o suficiente para compensar os custos de extração.

Além da China – que tem quase um monopólio sobre o processamento de terras raras pesadas –, países como Canadá, Austrália, EUA, Brasil, Índia, África do Sul e Rússia também dispõem de reservas desses minerais.

Sem citar os EUA ou a China, Von der Leyen assegurou que a proposta da UE é “diferente” e atenderá a critérios rigorosos “em termos de transparência” e de “respeito ao meio ambiente”. “Sempre iremos nos assegurar de que as comunidades locais são os principais beneficiários do valor gerado. Todos vão se beneficiar. É um verdadeiro ganha-ganha. Porque esse é o jeito da Europa de fazer negócios”, disse.

O tema não chegou a ser mencionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recepcionou Von der Leyen no Rio de Janeiro e discursou antes dela.

Acordo Mercosul-UE será assinado no Paraguai

Von der Leyen segue neste sábado (17/01) para Assunção, no Paraguai, para a assinatura do acordo Mercosul-UE. A entrada em vigor do tratado comercial, porém, só ocorrerá após ele ser ratificado pelo Parlamento Europeu e os Congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, envolvendo mercados que representam cerca de 30% do PIB global e mais de 720 milhões de habitantes.

“Amanhã, em Assunção, União Europeia e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto de 22 trilhões de dólares”, disse Lula em coletiva de imprensa após o encontro.