Vantagem de Keiko Fujimori é irreversível no Peru; esquerda acusa fraude
Diferença entre candidatos é de 43 mil votos e restam apenas 40.213 a serem contabilizados; autoridade eleitoral ainda não confirmou vitória
Keiko Fujimori, candidata da Força Popular, ampliou sua vantagem na disputa presidencial do Peru e matematicamente os dados indicam sua vitória, segundo a apuração oficial atualizada na madrugada desta quarta-feira (24/06). Ela detém 50,11% dos votos contra 49,88% de Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru.
De acordo com a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), restam apenas 40.213 votos a serem contabilizados. Com 99,8% das urnas contabilizadas, a líder da ultradireita peruana soma 9.206.041 votos contra 9.162.855 do candidato da esquerda, uma diferença de aproximadamente 43 mil votos.
A vantagem é considerada irreversível por analistas e veículos internacionais, mas a autoridade eleitoral peruana ainda não proclamou oficialmente o vencedor do segundo turno das eleições ocorridas em 7 de junho no Peru.
Na terça-feira (23/06), a Justiça Eleitoral peruana rejeitou um pedido apresentado por Sánchez para anular milhares de votos de peruanos residentes no exterior, que majoritariamente favoreceram Keiko Fujimori.
Ao questionar a rejeição dos pedidos de recontagem de votos, o candidato da esquerda acusou fraude eleitoral. “Se não querem considerar a contagem dos votos, o que estão escondendo? A democracia não venceria? Não haveria mais confiança, mais certeza?”, perguntou. Ele alertou que, caso a Junta Nacional Eleitoral não reverta suas decisões, “a fraude estará consumada”.

Vantagem de Keiko Fujimori é irreversível no Peru; esquerda acusa fraude
Keiko Fujimori Facebook / Roberto Sanchez X
Sánchez não reconhecerá o resultado
Em coletiva de imprensa realizada em Lima, nesta terça-feira (23/06) o candidato do Juntos pelo Peru afirmou que não reconhecerá uma eventual vitória da adversária e acusou as autoridades eleitorais de favorecerem a candidata conservadora. “Não reconheceremos o governo da Sra. Fujimori”, declarou Sánchez.
Segundo ele, a Junta Nacional Eleitoral (JNE) teria alterado procedimentos durante o processo de votação no exterior. “O fator determinante é a existência da referida regulamentação de alteração, que foi emitida durante o processo eleitoral e não exige necessariamente provas factuais adicionais”, afirmou.
O candidato criticou a substituição do sistema de digitalização e transmissão eletrônica das atas eleitorais utilizado no primeiro turno. “Atrasos, objeções e contestações a uma seção eleitoral são uma coisa, mas mudar as regras é outra. As regras foram respeitadas no primeiro turno, mas não no segundo.”
Sánchez responsabilizou o Ministério das Relações Exteriores pelas supostas irregularidades na votação realizada fora do país. “O Ministério das Relações Exteriores, com a conivência do ONPE, foi quem invalidou a votação ao alterar ilegalmente as regras”, declarou.
Ele defendeu que “a JNE deve declarar a nulidade das eleições de 7 de junho realizadas nos consulados para peruanos no exterior”.
‘Benefício fraudulento’
Nas redes sociais, ele reiterou que a contagem dos votos do exterior representa “um benefício fraudulento para o partido político Fuerza Popular, representado por Keiko Fujimori”. “Portanto, solicitamos ao JNE (Conselho Nacional de Eleições) que corrija essa transgressão contra o sistema eleitoral e a democracia”, escreveu.
Sanchéz também convocou uma mobilização nacional para o próximo sábado, 27 de junho, em Lima, chamando apoiadores, sindicatos e movimentos sociais a integrarem uma “resistência patriótica”. O ato defenderá ainda a libertação do ex-presidente Pedro Castillo e denunciará o que considera perseguição política contra setores da esquerda peruana.























