Terça-feira, 19 de maio de 2026
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O governo interino da Venezuela rechaçou nesta segunda-feira (11/05) as declarações do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que insinuaram uma suposta “cumplicidade” de autoridades venezuelanas com o sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro por tropas dos EUA no dia 3 de janeiro.

Ao ser questionado sobre o endurecimento do bloqueio imposto a Cuba e se a ilha poderia passar pelo mesmo processo de agressão que a Venezuela enfrentou com os ataques militares ordenados por Donald Trump no início do ano, Guterres disse que não, pois no caso venezuelano “houve cumplicidades muito grandes dentro do sistema político venezuelano”.

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“Para ser honesto, na Venezuela o que nós vimos foi uma operação militar contra [Nicolás] Maduro, mas eu tenho a ideia de que houve cumplicidades muito grandes dentro do sistema político venezuelano. Então comparar Venezuela a Cuba, eu acredito que seja uma comparação injusta”, disse.

As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa em Nairóbi, capital do Quênia, onde o secretário-geral da ONU está acompanhando a Cúpula África-França.

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Em nota, a Venezuela rechaçou a fala de Guterres, afirmando que as declarações são “impróprias de sua alta investidura e contrárias aos princípios de objetividade, prudência, imparcialidade e boa fé estabelecidos na Carta das Nações Unidas”.

Secretário-geral das Nações Unidas, Antônio Guterres
Instagram/@antonioguterres

Ainda segundo Caracas, “nunca antes a ONU havia enfrentado uma deterioração tão profunda de sua credibilidade diante dos povos do mundo”.

“Enquanto persiste o genocídio contra o povo palestino, a expansão de guerras e a aplicação de medidas coercitivas unilaterais contra povos soberanos, a Secretaria-Geral mantém uma atuação de silêncio ou ambiguidade que debilita sua autoridade moral”, diz a nota.

Desde o dia 3 de janeiro, quando o país foi bombardeado pelos EUA e teve seu presidente sequestrado, a Venezuela vem sendo governada pela presidenta interina Delcy Rodríguez.

Nesse período, o país passou por um processo de retomada de relações políticas, diplomáticas e comerciais com os EUA, principalmente no campo petroleiro, colocado por Trump como o principal interesse de Washington na relação.

Sanções econômicas foram, então, flexibilizadas e a embaixada dos EUA em Caracas reaberta, o que permitiu que empresas norte-americanas voltassem a operar em solo venezuelano.