Venezuela retoma relações com FMI e Banco Mundial após seis anos de bloqueio
Presidente interina esclarece que R$ 29,6 bilhões em reservas congeladas serão utilizadas para restaurar serviços públicos
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (16/04) que o Fundo Monetário Internacional (FMI) retomou as relações com Caracas após seis anos de bloqueio institucional. “Foi uma grande conquista da diplomacia venezuelana”, afirmou Rodríguez.
“Não foi uma mera formalidade. Foi o plano para uma negociação que levou meses para ser concretizada e que a extrema-direita venezuelana tentou sabotar sem sucesso”, enfatizou, acrescentando que “é muito lamentável que o extremismo venezuelano tenha se dado ao trabalho de visitar capitais na Europa e em outros países para tentar impedir este passo importante para a nossa economia”.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, formalizou a retomada das relações com a Venezuela em um comunicado especificando que a decisão foi adotada “de acordo com a opinião dos países membros do FMI que representam a maioria do poder de voto total”. Por trás dessa fórmula técnica, existe uma política concreta: a comunidade internacional reconhece o governo venezuelano como um interlocutor legítimo.
O Banco Mundial (BM) também anunciou na quinta-feira a retomada de suas relações com Caracas, após os resultados do processo de votação do FMI.
I welcome the decision to resume IMF dealings with Venezuela. This important step, guided by the views of our members, allows the Fund to re‑engage in a way that can ultimately benefit the Venezuelan people. https://t.co/YH1ZCX8tAU https://t.co/lwHYEHcyml
— Kristalina Georgieva (@KGeorgieva) April 17, 2026
A suspensão das relações havia ocorrido em março de 2019, quando o FMI reconheceu a oposição parlamentar como governo de facto a partir do exterior, em consonância com a campanha de sanções que Washington vem promovendo desde então. A partir desse momento, a Venezuela foi excluída das consultas do Artigo IV e suas reservas permaneceram congeladas. Essas reservas totalizam aproximadamente US$ 3,568 bilhões em Direitos Especiais de Saque, o equivalente a cerca de US$ 5,1 bilhões.
Rodríguez esclareceu que esses fundos se destinam à restauração dos serviços públicos. “Estamos normalizando todos os processos que envolvem os direitos da Venezuela dentro da organização”, disse ela, enfatizando a importância do país “para a nossa região”.
Novo presidente do Banco Central da Venezuela
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a renúncia de Laura Guerra ao cargo de presidente do Banco Central da Venezuela (BCV) e informou que Luis Pérez assumirá a função.
“Recebi uma comunicação da Sra. Laura Guerra, que apresentou sua renúncia ao Banco Central da Venezuela”, disse Rodríguez em uma reunião com autoridades econômicas. Da mesma forma, ela explicou que Guerra, que estava no cargo desde abril de 2025, “continuará com outras atividades na área do Governo”.
O Departamento do Tesouro dos EUA declarou na terça-feira (14/04) que as sanções impostas ao sistema bancário público da Venezuela foram suspensas.
Essa medida também abrange entidades como o Banco dos Trabalhadores Digitais, o Banco da Venezuela, o Banco do Tesouro e qualquer outra instituição na qual alguma dessas entidades tenha participação direta ou indireta de 50% ou mais.
(*) com teleSUR























