Venezuelanos deportados pelos EUA denunciam torturas e agressões em prisão de El Salvador
Petição encaminhada à CIDH busca responsabilizar governo Bukele por violações físicas e sexuais sofridas no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot)
Um grupo de 18 venezuelanos deportados pelos Estados Unidos para El Salvador apresentou uma petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) denunciando graves violações sofridas durante o período em que estiveram detidos no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador.
A ação apresentada por grupos de direitos humanos, nesta quinta-feira (26/03), busca responsabilizar internacionalmente o Estado salvadorenho por práticas como tortura, agressões físicas, violência sexual e negligência médica.
As vítimas foram transferidas pelos Estados Unidos para a prisão em El Salvador em março de 2025, sob alegação não comprovada, de que pertenceriam à gangue Tren de Aragua. Ao todo, 288 migrantes venezuelanos e salvadorenhos foram encaminhados ao Cecot no escopo da política migratória do presidente norte-americano, Donald Trump.
A petição apresentada à CIDH solicita que o órgão reconheça a responsabilidade de El Salvador por violar a Convenção Americana de Direitos Humanos, além de exigir reparações às vítimas, incluindo indenizações, pedido público de desculpas e acesso a tratamento psicológico.
A petição também pede que a CIDH declare como violação aos Direitos Humanos, o acordo entre Estados Unidos e El Salvador para a transferência de deportados à prisão de segurança máxima. A política de linha dura, implementada pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele, já prendeu cerca de 1,4% da população salvadorenha sem o devido processo legal.
Relatos
Na petição, os 18 venezuelanos relatam um “padrão de abuso” incluindo “espancamentos, humilhações e agressão sexual”. Eles retornaram à Venezuela em julho de 2025 e descrevem um ambiente de extrema violência desde a chegada.

Venezuelanos deportados pelos EUA denunciam torturas e agressões em prisão de El Salvador
Casa Presidencial de El Salvador / Wikimedia Commons
Ao The Guardian, os ex-detentos denunciaram um ambiente de extrema violência desde a chegada. Um dos homens afirmou ter sofrido recorrentes espancamentos, além de ouvir gritos constantes de outros presos sendo torturados.
As condições carcerárias incluíam celas sem janelas, iluminação artificial 24 horas por dia, ausência de ventilação adequada e privação de necessidades básicas como água potável, alimentação suficiente e sono.
Eles também relataram dividir um único reservatório de água, frequentemente contaminado, e sofrer com doenças gastrointestinais persistentes. Além dos danos físicos, os relatos evidenciam impactos psicológicos duradouros.
Após quatro meses de detenção, 252 venezuelanos foram libertados e retornaram a seus países de origem, onde muitos enfrentam dificuldades de reintegração, estigmatização e risco contínuo, afirma o jornal britânico.























