Xiomara Castro acusa EUA e ex-presidente de planejarem golpe em Honduras
Mandatária diz que indulto de Trump a Juan Orlando Hernández faz parte de interferência eleitoral; Forças Armadas garantem lealdade
A presidente de Honduras, Xiomara Castro, alertou nesta terça-feira (16/12) sobre um golpe planejado contra seu governo, organizado pelo ex-presidente Juan Orlando Hernández em parceria com os Estados Unidos. “Solicito urgentemente o apoio consciente e pacífico do povo hondurenho”, declarou em sua rede social no X.
Castro explicou que através de informações de inteligência verificadas, o ex-presidente Hernández, indultado pelo líder da Casa Branca, Donald Trump, planeja entrar no país para proclamar-se vencedor das eleições de 30 de novembro, sem que a contagem de todos os votos tenha sido realizada.
Segundo a atual mandatária, o indulto faz parte do plano de interferência de Washington nas eleições gerais hondurenhas, nas quais ele também apoiou abertamente o candidato presidencial do Partido Nacional, Nasry Asfura.
Além disso, Castro denunciou que “está em curso uma agressão destinada a quebrar a ordem constitucional e democrática, por meio de um golpe de Estado” contra seu governo, cujo mandato de quatro anos deve terminar em 27 de janeiro.
Nesse sentido, ela convocou o povo, os movimentos sociais, os coletivos, os ativistas e os cidadãos a se reunirem com urgência e pacificamente em Tegucigalpa para “defender o mandato popular, rejeitar qualquer tentativa de golpe e deixar claro para o mundo que um novo golpe está sendo planejado”, enfatizou.
Al pueblo hondureño:
Informo con responsabilidad histórica que, a partir de información de inteligencia verificada, Juan Orlando Hernández, perdonado en EEUU, planifica su ingreso al país para proclamar el ganador de las elecciones al tiempo que está en marcha una agresión…— Xiomara Castro de Zelaya (@XiomaraCastroZ) December 16, 2025
Em resposta à acusação da presidente hondurenha, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do país, Roosevelt Hernández, afirmou que as Forças Armadas são leais à presidente e garantirão a estabilidade do país.
Segundo a emissora venezuelana, teleSUR, o chefe das Forças Armadas também declarou que “não haverá golpe de Estado aqui”, acrescentando que “respeitarão as leis e a Constituição de Honduras”.
Hernández reiterou que os membros das forças militares que estiverem conspirando ou ligados a ações desestabilizadoras serão afastados da instituição. “As Forças Armadas não vão realizar outro golpe de Estado”.
O ex-presidente hondurenho e coordenador do Partido Liberdade e Refundação (Libre), Manuel Zelaya, também endossou o apelo da presidente Xiomara Castro para que o povo se mobilize e impeça uma tentativa de golpe de Estado promovida por Juan Orlando Hernández com o apoio dos Estados Unidos.
Por meio da rede social X, Zelaya indicou que o pedido de apoio do povo hondurenho e do partido Libre responde a relatórios de inteligência verificados sobre ameaças reais de uma tentativa de golpe de Estado que buscam desestabilizar a ordem constitucional do país.
Protestos contra fraude eleitoral
Na noite de segunda-feira (15/12) ativistas de esquerda foram às ruas em protesto pela divulgação dos resultados finais das eleições gerais em Honduras. Em declarações à AFP, segundo o prefeito de Tegucigalpa, Jorge Aldana, oito pessoas ficaram feridas pela repressão policial. “Mas estão bem agora. Eles entraram na barraca e nos trataram como criminosos”, disse o prefeito, que busca a reeleição.
A presidente de Honduras, Xiomara Castro, condenou nesta terça-feira (16/12) a operação policial que removeu manifestantes de seu partido de um acampamento montado em frente à sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). “No meu governo, o povo não é reprimido”, declarou à UneTV.
























