Para alcançar a revolução, vamos precisar mudar de paradigmas

A humanidade pode acabar porque é egocêntrica o suficiente para achar que está certa há milênios. E ainda bate o pé para dizer que sim, tá tudo certo, tá tudo bem. Não tá não, gente

Ludmilla Balduino

Aqui entre a gente, que quer a revolução, que sonha em um mundo justo e igualitário, um mundo em que todos finalmente viveriam em respeito mútuo, não só entre os humanos, mas também entre os humanos e a natureza: Pra gente alcançar essa revolução, a gente vai precisar mudar de paradigmas.

Vai ter de derrubar nossas linhas de pensamento.

Buscar outros tipos de filósofos. De economistas. Sociólogos. Cientistas.

Porque essa linha de pensamento cartesiana, cristã, não só está muito ultrapassada como também pode nos levar ao nosso fim.

A humanidade pode acabar porque é egocêntrica o suficiente para achar que está certa há milênios. E ainda bate o pé para dizer que sim, tá tudo certo, tá tudo bem.

Não tá não, gente.

Não somos seres iluminados que pensam, enquanto o resto que existe são seres que não pensam e por isso podemos fazer o que quiser com eles.

Esses seres “que não pensam” não são máquinas que vivem para nos servir. E essa ideia de que somos seres iluminados que podem ajudar o mundo a se salvar também é uma porcaria de ideia (Isso é Descartes).

Não somos produto de um outro ser mais iluminado e superdivino, que nos colocou aqui no planeta Terra em meio à natureza para que façamos usufruto dela. (Isso é a Bíblia).

Já está passando da hora de entendermos que somos parte da natureza. Caminhamos junto com ela. Interferir no processo natural é sofrer. É morrer. É extinção.

Tem hora que eu acho até interessante essa coisa humana de “dar murro em ponta de faca”. De insistir no erro. De achar que a sua filosofia, a sua ciência, a sua tecnologia, desenvolvida baseada nesse pensamento tão arcaico, vai salvar o mundo.

O que vai salvar o mundo é o fim da humanidade.

A não ser que a gente pare de pensar em revolução pelo lucro. Pelo progresso. Pelo desenvolvimento. E nem adianta impor coisas lindas e maravilhosas, como distribuição de renda igualitária, se o pensamento dominante continuar sendo cartesiano e cristão.

Já falei e repito: a revolução está contida nos pequenos atos. Perceber que vivemos enraizados numa linha de pensamento e que poderíamos pensar o mundo de outra maneira totalmente diferente é o primeiro passo. E veja só! A gente nem precisa sair do nosso corpo pra isso.

Vem, deita na rede. Olha as árvores. Os pássaros que pousam nas árvores. O vento que balança a copa. As nuvens que passam. O sol que caminha pelo céu. Tudo em uma sintonia que parece mais um baile ensaiado. Por que estamos tão distantes dessa sintonia? Ela é tão perfeita. Até mais do que um baile de passos marcados. Porque é puro improviso. Mas também é puro instinto.

Vamos imaginar mundos diferentes. Diferentes de verdade. Não essas velharias baseadas em economia, tecnologia e outras ias. Vamos reinventar tudo. Derrubar tudo, sacar o cimento da base e plantar árvores no lugar. Deixar a raiz crescer mais livremente. Mais orgânica. Menos quadrada.

Seria uma beleza, né.

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