Notas internacionais, por Ana Prestes: 27 de novembro de 2018

Governo Bolsonaro não vai à China, acordo para o Brexit aprovado, Ucrânia sob lei marcial: destaques desta terça-feira

Ana Prestes

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- O PSL, partido do presidente eleito Jair Bolsonaro, não enviará seus integrantes para a visita à China conforme convite do Partido Comunista Chinês. Pelo menos não em 2018. A resposta foi enviada à embaixada da China em formato de ofício assinado pela Comissão Executiva Nacional do partido.

- Enquanto isso, começou ontem (26/11) uma agenda nos EUA do filho de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro. Em sua conta no Twitter, o membro do clã presidencial publicou sua agenda, dentre elas um encontro com Kimberly Breier, secretária-adjunta para assuntos do hemisfério ocidental do Departamento de Estado dos EUA. A secretária havia elogiado publicamente Bolsonaro em 15 de novembro por sua “preocupação” com o salário dos médicos cubanos que trabalhavam no Mais Médicos.

- Está previsto para o próximo dia 29, no Rio de Janeiro, um encontro entre o presidente eleito Bolsonaro e John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos. A expectativa é de que Bolton apele ao futuro presidente para que endureça a relação com a Venezuela.

- A diretora de Comunicação do Ministério de Relações Exteriores de Cuba, Yaira Jiménez Roig, em anúncio desta segunda-feira (26/11) afirmou que em nenhum momento o governo cubano foi procurado pela equipe de transição do presidente eleito Bolsonaro para discutir condições de funcionamento do Mais Médicos, ao contrário do que disse o próprio Bolsonaro. Entre as contradições dos Bolsonaro, pai e o filho Eduardo, Yaira lembrou que enquanto deputados eles tentaram aprovar emenda que proibia aos dependentes dos médicos cubanos que trabalham no Mais Médicos Brasil de fixar no país e exercer atividades remuneradas, com a finalidade de limitar o estabelecimento de vínculos permanentes por parte das famílias cubanas no Brasil.

- Um estudo da Oxfam, divulgado ontem (26/11), mostra que o número de pobres no Brasil aumentou pelo terceiro ano consecutivo. O estudo se chama: País estancado – um retrato das desigualdades brasileiras e alerta para o fato de que o Brasil deixou a 10ª posição e passou a ser o 9º. país mais desigual entre 189 nações. O país passou a ter 15 milhões de pessoas na pobreza em 2017 (renda diária de 2 dólares/dia), um aumento de 11% em relação a 2016. Ainda segundo o relatório, pela 1ª vez em 23 anos houve retrocesso quando comparadas as rendas dos homens e das mulheres. Em 2016 as mulheres recebiam 72% do ganho dos homens e em 2017 passaram a receber 70%.

- Acordo do Brexit foi aprovado em Bruxelas no último domingo (25/11) por unanimidade pelos líderes europeus. Participaram presidentes e primeiros-ministros dos 27 países membros do bloco da União Europeia. Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker disse após a votação: “Ver a Grã-Bretanha sair da UE não representa um momento de alegria ou celebração. É uma tragédia”.

- A saída oficial da Grã-Bretanha do bloco europeu deve se dar em 29 de março de 2019, depois de 46 anos de participação. Primeira baixa do bloco. A saída nos termos alcançados pelos líderes europeus e Theresa May depende ainda da aprovação do parlamento britânico. A votação será no dia 11 de dezembro. May precisa de 320 favoráveis. Cerca de 80 parlamentares do seu partido (Partido Conservador) já anunciaram discordar do acordo. Por fim deverá ser aprovado também pelo Parlamento europeu.

- Caso o acordo do Brexit pactuado com a UE não seja aprovado no Parlamento britânico, pode ocorrer um Brexit sem acordo, a formulação de um novo acordo, a realização de um plebiscito e até um novo plebiscito para consultar a população britânica.

- Reunião do G20 no final desta semana em Buenos Aires deverá ser palco da guerra comercial entre EUA e China.

- Equipe do futuro presidente do México, López Obrador, que tomará posse no próximo sábado (01/12), trabalha no plano “Permaneça no México”  para os migrantes das caravanas que chegam da América Central.

- Está bastante tensa a situação na fronteira do México com os EUA neste momento. No domingo (25/11) centenas de migrantes centro-americanos, provenientes das caravanas migrantes que partiram da América Central desde outubro, tentaram pular a cerca fronteiriça na altura de Tijuana (México), que faz fronteira com San Diego (EUA) e foram recebidas com gás lacrimogênio e balas de borracha. Cerca de 5 mil pessoas encontram-se abrigadas em Tijuana. Os confrontos já geraram prisões e mesmo deportações por parte das autoridades mexicanas. Trump está jogando para as autoridades mexicanas a responsabilidade de lidar com os migrantes que pedem asilo aos EUA e ameaça fechar de forma permanente “se necessário” a fronteira.

- República Tcheca, Polônia e Eslováquia, já são três os países que se retiraram do pacto global sobre migração proposto pela ONU e que deve ir a voto nos dias 10 e 11 de dezembro no Marrocos.

- Aumentou a tensão entre Ucrânia e Rússia. Foi aprovada ontem (26/11) no Parlamento ucraniano a proposta do presidente Petro Poroshenko para introduzir a lei marcial por 30 dias no país. A aprovação ocorreu três dias após a Rússia ter capturado embarcações ucranianas que haviam entrado ilegalmente em águas russas no estreito de Kerch que dá acesso ao mar de Azov. A Ucrânia tem eleições marcadas para 31 de março de 2019 e o presidente Poroshenko está muito mal posicionado nas pesquisas.

- Foram duas e gigantes as marchas de francesas e franceses no último sábado (24/11) em todo o país. A dos coletes amarelos, contra alta dos combustíveis e impostos e a marcha das mulheres contra a violência sexual e sexista. A marcha das mulheres foi bem mais numerosa. A polícia diz que haviam 12 mil mulheres e as organizadoras falam em 30 mil. Cerca de 225 mil mulheres são agredidas por seus parceiros todos os anos na França, segundo dados do Governo francês. Os jalecos amarelos foram às ruas e já preparam sua terceira marcha para o dia 1º dezembro. Nenhum sindicato ou liderança reivindica o protagonismo dos protestos, que são convocados pelas redes sociais.

- Trump está em uma queda de braços com a GM, primeira montadora de carros dos Estados Unidos, que pretende demitir 15% de sua força de trabalho em solo americano e fechar 7 fábricas pelo país. 

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Governo Bolsonaro não vai à China, acordo para o Brexit aprovado, Ucrânia sob lei marcial: destaques desta terça-feira

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