Notas internacionais, por Ana Prestes: 29 de novembro de 2018

Encontro de Jair Bolsonaro com John Bolton, carta sobre 'pastor tarja preta', reuniões programadas para o G20, destaques desta quinta-feira

Ana Prestes

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- Terminou há pouco o encontro entre Jair Bolsonaro e o conselheiro de segurança da Casa Branca, John Bolton. O presidente eleito recebeu o assessor de Trump com uma continência. Não há informações noticiadas sobre o conteúdo da conversa que durou menos de uma hora.

- Buenos Aires será uma capital movimentada hoje. Diversas manifestações marcadas, enquanto vão chegando os líderes mundiais que participarão do G20. Ponto auge do encontro deverá ser o jantar entre Xi Jinping e Donald Trump na noite de sábado (01/12). Outro momento que cria expectativa é a assinatura do novo tratado de livre comércio da América do Norte, entre México, EUA e Canadá. O tratado ainda será assinado por Peña Nieto, visto que López Obrador toma posse no sábado (01/12). Poroshenko da Ucrânia vem para protestar contra Putin. Príncipe saudita vem para se defender do que chama de ataques à sua imagem no exterior, após a morte do jornalista Kashoggi e os resultados da guerra do Iêmen. Macri passará o pires pedindo ajuda aos comensais para tirar a Argentina de uma profunda crise econômica. Temer deverá representar o Brasil, em uma de suas últimas missões internacionais. Não há notícias de integrantes da equipe do futuro presidente Bolsonaro na comitiva de Temer.

- “Pastor tarja preta”, assim é chamado o futuro chanceler Ernesto Araújo em carta anônima, aparentemente de um diplomata - pelo menos o autor diz que sim - que circula nos grupos de whatsapp dos funcionários do Itamaraty e foi publicada pela Carta Capital. Ao longo do texto, o autor comenta os textos do blog de Araújo e seu último artigo que saiu no jornal paranaense Gazeta do Povo.

- Na carta em que Araújo é chamado de “pastor tarja preta”, o autor diz que “não há registro de um governo brasileiro que, durante um ou dois mandatos, tenha conseguido se indispor com todos os países árabes de uma vez, todos os países da Europa (região é um “espaço culturalmente vazio” – frase de vossa autoria), Noruega, Argentina, Mercosul e China, nosso maior parceiro comercial. Esse governo que integrará obteve a façanha de fazer isso antes mesmo de começar”.

- Repercutiu muito ontem (28/11) no Brasil e no mundo a retirada da candidatura do Brasil para ser sede da COP 25, Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, a ser realizada em 2019. O presidente eleito Jair Bolsonaro disse que “houve participação minha nessa decisão”. Disse ainda que não gostaria de anunciar possível ruptura com o Acordo de Paris em um evento sediado pelo Brasil.

- Ao justificar a retirada do Brasil como sede da COP 25, Bolsonaro voltou a associar o Acordo climático de Paris, do qual o Brasil é construtor e signatário, à criação de uma grande área de preservação ambiental chamada “Triplo A”, por se estender dos Andes, passando pela Amazônia e chegando ao Atlântico. Ocorre que o Tratado de Paris e famoso “Triplo A” não dialogam, não conversam, não se vinculam, não tem nada a ver uma coisa com a outra. O Triplo A é uma proposta de corredor ambiental feito por uma fundação chamada Gaia Amazonas, com sede na Colômbia.

- Uma curiosidade ao longo da entrevista de Bolsonaro sobre a retirada do Brasil como sede da COP 25 é que seu futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, chegou a cochichar em seu ouvido uma sugestão de resposta às perguntas dos jornalistas: “não temos nada com isso; isso é decisão do Itamaraty”. Bolsonaro ignorou, no entanto, a sugestão e assumiu a responsabilidade pela decisão proferida pelo Itamaraty.

- Com a proximidade da COP 24, neste mês de dezembro na Polônia, a Europa discute uma proposta de acabar com a era da combustão em seu território em 2050. A comissão europeia propôs e ainda precisa ser aprovada pelos 27 estados membros uma medida para que a emissão de gases do efeito estufa seja combatida com a adoção de medidas para que 80% da eletricidade do bloco provenha de energias renováveis em 2050.

- Continua tensa a situação entre Rússia e Ucrânia no estreito de Kerch, pequena passagem entre o Mar de Azov e o Mar Negro, que separa a Crimeia da Rússia e sobre a qual passa uma ponte de 19 km recentemente inaugurada por Putin. A península da Crimeia foi anexada por Moscou em 2014 e a Ucrânia, assim como outros países ocidentais, não aceita a anexação. No último final de semana a Rússia retirou três embarcações ucranianas que fechavam o estreito e prendeu seus tripulantes, a Ucrânia decretou lei marcial e a Rússia posicionou mísseis antiaéreos na Crimeia.

- Foi liberado nos últimos dias um recurso de US$ 9,2 milhões do Fundo Central de Resposta Emergencial (Cerf) da ONU para enfrentamento da crise econômica e de abastecimento da Venezuela. O dinheiro será distribuído entre agências da ONU, como a OMS, a Unicef, a Acnur e outras que executaram projetos diretos na Venezuela. Recentemente o governo Maduro convidou a Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, ex-presidenta do Chile, para realizar uma visita ao país.

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Encontro de Jair Bolsonaro com John Bolton, carta sobre 'pastor tarja preta', reuniões programadas para o G20, destaques desta quinta-feira

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