Notas internacionais, por Ana Prestes: 12 de dezembro de 2018

Brasil sairá do Pacto Mundial para Migração, João de Deus acusado por abuso sexual, May enfrenta moção de desconfiança, destaques desta quarta-feira

Ana Prestes

Todos os posts do autor

- O Brasil assinou o Pacto Mundial para Migração, junto a mais de 160 países, em Conferência que terminou ontem em Marraquexe, no Marrocos. O futuro chanceler, no entanto, Ernesto Araújo, anunciou que o Governo Bolsonaro tirará o Brasil do pacto. Segundo Araújo, “a imigração não deve ser tratada como questão global, mas sim de acordo com a realidade e a soberania de cada país”. Para o atual chanceler, Aloysio Nunes, sair do pacto será um retrocesso, pois o Brasil exerce uma “liderança positiva” no tema da imigração. O pacto ainda vai a voto novamente em 19 de dezembro na Assembleia Geral da ONU.

- Ganhou repercussão internacional o caso do médium João de Deus que tem sido acusado por inúmeras mulheres, do exterior inclusive, por abuso sexual durante seus atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola em Abadiânia de Goiás. Foi uma mulher holandesa a primeira a fazer a denúncia publicamente, via entrevista em rede de TV brasileira. Depois dela, já são 240 mulheres denunciantes.

- A vice-ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Hotovely, disse “esperar que a embaixada brasileira se mude para Jerusalém em janeiro”. O comentário foi relatado por um jornal israelense Haaretz. Ainda segundo a vice-ministra, que lidera campanha para trazer mais embaixadas para Jerusalém, “o mundo é simples – nós tivemos apenas uma capital nos últimos 3000 anos, e é Jerusalém”.

- Enquanto isso, chegou às mãos de Bolsonaro pai uma carta assinada pelo secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, na qual se alerta o presidente eleito que a transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém pode prejudicar as relações brasileiras com os países árabes. Na carta, o secretário-geral pede que se “considere o ponto de vista árabe como uma maneira de preservar a duradoura amizade”.

- Além da carta da Liga Árabe, a Organização para a Cooperação Islâmica, através dos embaixadores dos países que integram o grupo e atuam no Brasil, assinaram memorando para Bolsonaro, após encontro na embaixada da Palestina em Brasília. Na carta, os embaixadores dizem que os países muçulmanos têm “alto apreço pelo apoio histórico do Brasil” às causas árabes e destacam o reconhecimento do Estado da Palestina e o apoio à “solução de dois estados”. A organização para a Cooperação Islâmica reúne 57 países no Brasil.

- A Venezuela recebeu esta semana dois bombardeiros russos para a realização de exercícios militares conjuntos. São dois aviões com capacidade nuclear. Vieram também cerca de cem funcionários do governo russo. A Venezuela também tem contado com o apoio turco e iraniano na resistência à ofensiva norte-americana, aliada à Colômbia (agora membro da OTAN), sobre o país.

- Pagou uma fiança de US$ 7,5 milhões e foi liberada da prisão no Canadá a diretora financeira da chinesa Huawei, Meng Wanzhou, isso após a China haver prendido um ex-diplomata canadense. O diplomata foi primeiro secretário da embaixada do Canadá em Pequim de 2014 a 2016 e hoje é um consultor em relações internacionais. Meng se libertou um dia após China e EUA aprofundarem as conversações iniciadas por Trump e Xi Jinping durante o G20. A conversa foi via ligação telefônica entre o vice-primeiro ministro chinês, Liu He, e o secretário do tesouro dos EUA, Steven Mnuchin.

- Já são 48 (número necessário) as cartas de deputados pedindo votação sobre a continuidade ou não de Theresa May como primeira ministra britânica. A votação ocorre na sequência da retirada do projeto do Brexit de votação do parlamento britânico. A votação do Brexit foi adiada e enquanto isso, May viaja para se reunir com autoridades europeias na tentativa de reconstruir o acordo, sem muito sucesso até aqui. O ponto mais difícil de resolver é o que trata da fronteira entre a República da Irlanda (integrante da UE) e a Irlanda do Norte (parte do Reino Unido).

- A Austrália deve anunciar hoje (12/12) o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. Não mudarão o local da embaixada australiana para Jerusalém, mas é uma mudança importante e certamente fruto de pressões israelenses que fazem  uma campanha mundial para a mudança de status de Jerusalém.

- O Brasil é hoje o 9º país cujos cidadãos são rejeitados nos pontos de entrada da União Europeia. O número aumentou em 45% em 2018, em relação a 2017. O acordo firmado de um pacto global sobre imigração, no Marrocos, nos últimos dias, poderia ser um instrumento para ajudar esses brasileiros, mas o futuro governo vai se retirar do acordo.

- Está forte a tensão na Bolívia, com vários protestos que questionam a candidatura de Evo à reeleição. Ontem (11/12) um Tribunal Eleitoral, em Santa Cruz, foi incendiado. Outros prédios públicos também foram atacados. Os protestos são contra a autorização do Tribunal Constitucional que garante a candidatura de Evo para o período de 2020 – 2025, desconsiderando um referendo de 2016. Nesse referendo a população votou pela não possibilidade de reeleição de Evo. No dia de ontem (11/12) a ONU se pronunciou manifestando o direito de Evo à reeleição e pedindo tranquilidade no processo eleitoral boliviano.

- A “personalidade do ano” da revista norte-americana Time, ficou para quatro representantes do mundo da comunicação. São eles, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, morto na Turquia de forma pouco esclarecida até aqui em episódio que envolve o príncipe herdeiro saudita, a jornalista Maria Ressa, perseguida nas Filipinas pelo governo de Rodrigo Duterte, dois repórteres da Reuters presos na Birmânia, Wa Lone e Kyaw Soe Oo e o jornal local Capital Gazette, de Annapolis (Maryland, EUA), que teve cinco funcionários mortos em junho.

Reprodução
Brasil sairá do Pacto Mundial para Migração, João de Deus acusado por abuso sexual, May enfrenta moção de desconfiança

Recomendadas para você

Comentários

Leia Também