Notas internacionais, por Ana Prestes: 28 de janeiro de 2019

A tragédia em Brumadinho/MG segue com ampla repercussão internacional, A Venezuela segue no foco das atenções mundiais, Contra os coletes amarelos, os 'lenços vermelhos'; destaques desta segunda-feira

Ana Prestes

Brasília (Brasil)

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- A tragédia do rompimento da barragem em Brumadinho/MG segue com ampla repercussão internacional, tanto na imprensa escrita, como TV e internet. As manchetes de hoje, como da BBC, por exemplo, dizem: “pouca esperança para centenas de desaparecidos no Brasil”. O fato de o Papa Francisco ter mencionado a tragédia em suas orações deste domingo (27) também ajudou na difusão do drama brasileiro pelo mundo. Até agora são 58 mortes e 305 desaparecidos em Brumadinho.

- Um avião com militares de Israel já pousou em Minas Gerais para ajudar no resgate de desaparecidos pela tragédia de Brumadinho. Trata-se de uma equipe (30 mulheres e 136 homens) que faz parte de um grupo que já atuou em mais de 20 desastres pelo mundo. Criada em 1984, a unidade nacional de resgate das forças de defesa de Israel (FDI) já lidou em vários eventos trágicos pelo mundo, a começar pelo terremoto do México em 1985. O tema gerou vários debates no Brasil. O ex-senador Requião, por exemplo, alegou que a presença de militares israelenses no Brasil é mais uma ameaça à Venezuela. Várias pessoas apontaram também para a contradição do governo Bolsonaro em não aceitar ajuda humanitária de Cuba, mas aceitar de Israel. Outras questionam se seria realmente necessária a vinda da equipe israelense tantos dias após o acidente e sem que estejam faltando profissionais capacitados no Brasil. Outros questionam se a ajuda deveria ser aprovada pelo Congresso. O fato é que Bolsonaro aproveitou a situação para deixar clara sua relação de cooperação com Israel e cavar uma boa imagem do país no Brasil. Outros países ofereceram ajuda, além da ONU, via seu secretário geral.

- A Venezuela segue no foco das atenções mundiais. Pode-se dizer que desde o último dia 23, ápice do enfrentamento entre Governo e oposição, até hoje (28/01) já se percebe um arrefecimento do clima de “fato consumado” para a derrota de Maduro e o estabelecimento de Juan Guaidó como líder do país. Grande parte da imprensa, nacional e internacional, se refere a Guaidó como presidente “autoproclamado”, o que por si só denota o caráter ficcional de sua ascensão ao poder. As derrotas sofridas pelos EUA na OEA e no Conselho de Segurança da ONU nos últimos dias foram importantes para o restabelecimento da legitimidade da narrativa sobre os fatos por parte do governo Venezuelano. Segundo Delcy Rodriguez, vice-presidente da Venezuela: “o mundo deve saber que um deputado (Guaidó) que foi eleito com apenas 97 mil votos foi a uma praça pública e se autoproclamou Presidente da Venezuela e imediatamente depois os EUA e seus estados satélites saíram para apoiar um golpe de Estado na Venezuela”.

- A oposição venezuelana começou a semana com um pedido de visita da Comissária de Direitos Humanos da ONU, a ex-presidente do Chile, Michele Bachelet e convocando novas manifestações para quarta-feira (30/01) e sábado (2/02). Divulgado também amplamente o fato de que um adido militar venezuelano baseado em Washington declarou não reconhecer o governo Maduro. Os últimos países a reconhecer Guaidó foram Israel e Austrália. Países europeus deram ultimato de uma semana para a convocação de novas eleições, entre eles França, Espanha, Reino Unido e Alemanha. O ultimato, no entanto, perdeu força com o revés no Conselho de Segurança da ONU, em que pelo menos 19 de 35 país não coadunaram com a tese de Mike Pompeo de necessidade de intervenção na Venezuela. O pronunciamento do chanceler venezuelano Jorge Arreaza na sessão do Conselho de Segurança da ONU teve ampla repercussão por sua contundência e clareza na explanação. O embaixador Russo para o CS da ONU também teve papel destacado na sessão na defesa da legitimidade do governo Maduro.

- Aviões da Venezuela trouxeram neste domingo 270 venezuelanos que estavam no Equador. Houve um grande impasse com autoridades equatorianas que não estavam permitindo a partida das aeronaves. Há uma semana uma mulher grávida foi assassinada no Equador por um ex-companheiro venezuelano em um crime com características de feminicídio e o caso tem sido usado pelo Governo do Equador para um discurso xenófobo contra os cidadãos venezuelanos  que se encontram no país. Um plano que leva o nome de “Vuelta a la Patria” já repatriou mais de 12 mil venezuelanos, sendo quase 7 mil do Brasil, 2 mil do Peru, outros 2 mil do Equador, além de Colômbia, República Dominicana, Argentina, Chile e Panamá.

- Um telegrama diplomático do governo da Arábia Saudita para o governo brasileiro considera “preocupante” e “desagradável” o plano do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém. A revelação foi feita pela Folha de São Paulo ao dizer que obteve o documento sigiloso que relata reunião entre o embaixador do Brasil em Riad, Flavio Marega, e o subsecretário para Assuntos Internacionais do Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita, Abdulrahaman bin Ibrahim Al-Rassi.

- Em Cuba, na noite deste domingo (27/01), a passagem de um tornado deixou 3 pessoas mortas e 172 feridas.

- A Alemanha estabeleceu um prazo até 2038 para abandonar inteiramente a produção de energia a partir de carvão mineral.

- Cerca de 70 mil manifestantes da Marcha Europeia pelo Clima marcharam até a sede Parlamento Europeu neste domingo (27/01) em Bruxelas.

- O pequeno Julen, menino espanhol de 3 anos que caiu em um poço no dia 13 de janeiro em Málaga, na Espanha, foi encontrado sem vida no sábado (25/01). Seu resgate que demorou mais de 10 dias pela complexidade do local em que caiu comoveu todo o país.

- Contra os coletes amarelos, os “lenços vermelhos”. Um protesto que se autodenominou como de oposição aos coletes amarelos reuniu cerca de 10 mil pessoas em Paris ontem (27/01). Parlamentares, sendo 20 deputados e seis senadores, filiados ao partido de Macron participaram da marcha que tinha bandeiras da França e da União Europeia, além de peças de roupas vermelhas. Os coletes amarelos também marcharam no sábado, pelo 11º fim de semana consecutivo. Eram cerca de 70 mil segundo a imprensa francesa. As notícias destacam também que os coletes amarelos estão divididos quanto à participação formal ou não nas eleições.

- O grupo Estado Islâmico assumiu a autoria de um atentado a uma catedral nas Filipinas ocorrido neste sábado (26/01) e que deixou 20 mortos e 110 feridos. O atentado aconteceu dias depois de um referendo para a criação de uma região autônoma muçulmana no sul do país. A província de Sulu, onde está a catedral atingida, votou contra a integração à região autônoma muçulmana.

- O caso Huawei continua a provocar tensão entre Canadá e China. O embaixador canadense na China renunciou no sábado (26/01) por determinação do primeiro ministro canadense, Justin Trudeau.

- Já são 114 os falecidos pela explosão de um oleoduto no México. Lopez Obrador continua lidando com a principal crise do início do seu governo e tentando restabelecer a distribuição de combustível, enquanto luta para desativar grupos que assaltam os oleodutos e os caminhões tanque.

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