Notas internacionais, por Ana Prestes: 14 de março de 2019

Massacre em Suzano, Venezuela, novo embaixador brasileiro nos EUA e Brexit: destaques desta quinta-feira, 14 de março

Ana Prestes

Brasília (Brasil)

- Um ano após o assassinato de Marielle Franco, sua história segue repercutindo na imprensa internacional como o retrato de um Brasil injusto. Somada à prisão política de Lula, a morte da vereadora colocou o Brasil como um dos países mais comentados externamente quando o tema é violência política.

- Vários países terão atos em homenagem à Marielle com a chamada: Florescer por Marielle Franco. Buenos Aires tem uma convocatória para as 18 horas no Obelisco.

- O massacre da escola de Suzano, que vitimou 10 pessoas ontem (13/03), também repercutiu muito na imprensa internacional nas últimas horas.

- Em café da manhã com jornalistas ontem (13/03), Bolsonaro informou que irá trocar aproximadamente 15 embaixadores brasileiros no exterior, naqueles que ele considera “postos-chave”. Entre eles, EUA e França. Atualmente o embaixador brasileiro nos EUA é Sergio Amaral e é ele quem prepara a visita de JB ao país nos próximos dias 17 a 19 desse mês. Um dos cotados para assumir o posto, Murillo de Aragão, foi bombardeado nos últimos dias nas redes por Olavo de Carvalho que escreveu: “By the way, Murillo Aragão é homem de Lula”.

- Acontece nesta manhã de quinta (14/03) em Curitiba, no âmbito da reunião dos Brics, com vice-chanceleres dos 5 países membros, um encontro no qual o chanceler Ernesto Araújo tentará convencer russos e chineses a retirarem seu apoio a Maduro, presidente da Venezuela. Índia não tem posição sobre o tema e a África do Sul acompanha Rússia e China. O sonho de Araújo é arrancar uma declaração do Brics em apoio ao autointitulado presidente encarregado da Venezuela, Juan Guaidó.

- A ministra Damares Alves está representando o Brasil na 63ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher da ONU (CSW). Durante seus pronunciamentos, ela falou contra o aborto e que as políticas de proteção e defesa dos direitos das mulheres terão prioridade, mas sem apresentar dados ou projetos. Damares também discursou contra o aborto em reunião da Comissão de Direitos Humanos da ONU em fevereiro. Ela teve três oportunidades de discursar e, em nenhuma, apresentou medidas concretas. Disse que quer voltar à ONU para anunciar que o Brasil “se tornou um lugar seguro para ser mulher e uma das melhores nações do mundo para se criar meninas”.

- O sistema de energia elétrica foi restabelecido na Venezuela. O apagão começou há uma semana, na quinta passada, e afetou todo o país. Um incêndio teria sido a causa do blecaute. O governo Maduro encontrou indícios materiais de sabotagem. Oposição usa episódio para tentar manter acesa a chama do golpismo e fala em corrupção e falta de manutenção do sistema elétrico.

- Um comandante do exército do Uruguai, Guido Manini Rios, foi demitido pelo presidente Tabaré Vázquez, após criticar a justiça do país. A crítica foi pelo fato de o Poder Judiciário ter acusado militares uruguaios de violação dos direitos humanos durante a ditadura militar no país entre 1973 e 1985. Guido já havia recebido uma pena de 30 dias de detenção em 2018 após ter dado declarações polêmicas sobre a reforma da previdência dos militares do Uruguai. O ex-comandante do Exército ficou conhecido no último período por sua proximidade com Bolsonaro. Apareceu em fotos com o presidente brasileiro, enquanto o presidente Tabaré apenas cumprimentou rapidamente Bolsonaro na posse em Brasília, em 1º de janeiro.

- Theresa May sofreu nova derrota ontem (13/03) no parlamento britânico. Foi aprovada resolução indicando que o governo britânico não deve trabalhar uma saída do bloco sem acordo, o que seria o Brexit duro. Hoje (14/03) haverá nova votação para decidir se o Reino Unido pedirá ao bloco europeu uma extensão do prazo para além de 29 de março.

- O gasoduto Nord Stream 2, que dobrará a quantidade de gás enviado hoje da Rússia para a Alemanha, volta a ser alvo de disputa na Europa. No último dia 12 (terça), o Parlamento Europeu aprovou um projeto em que pede medidas para bloquear o funcionamento do duto. O projeto afronta a maior economia do bloco, a Alemanha, que compra 40% de seu gás de Moscou. O gasoduto está em fase final de construção e deve ficar pronto até o começo de 2020. A polêmica está no contexto da anexação da Crimeia pela Rússia há cinco anos.

- Ontem, com o massacre de Suzano, o tópico “armas” ficou na lista dos assuntos mais comentados no Twitter Mundial. 

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