Notas internacionais, por Ana Prestes: 21 de março de 2019

Bolsonaro no Chile, impasse no Brexit, possível (ou impossível) entrada do Brasil na Otan e novo nome da capital cazaque: destaques desta quinta, 21 de março

Ana Prestes

Brasília (Brasil)

- A queda de 15 pontos na popularidade de Bolsonaro, aferida pelo Ibope, aparece no noticiário internacional desta quinta, 21 de março. Não foi uma boa notícia para o presidente, que também é o aniversariante do dia. Completa hoje 64 anos de vida.  

- Ontem, 20 de março, foi o Dia Internacional da Felicidade. Todos os anos nesta data a ONU divulga um Relatório Anual da Felicidade. Pelo segundo ano consecutivo, a Finlândia ficou em primeiro lugar como o país mais feliz do mundo para as Nações Unidas. O Brasil desceu quatro posições ficando em 32º. lugar de país feliz. Para a produção do ranking entre 156 países são levadas em conta variáveis como PIB, renda, assistência social, expectativa de vida, liberdade, percepções sobre generosidade, corrupção, qualidade de vida dos imigrantes. Os dados coletados compreendem os últimos três anos. O último da fila é o Sudão do Sul, um país arrasado pela guerra há alguns anos. Note-se que a Finlândia, o mais feliz, é o país que tem a menor diferença salarial entre homens e mulheres, além das já tão difundidas qualidades da educação e saúde pública.

- De todas as “trocas” feitas entre Bolsonaro e Trump, durante a visita do presidente brasileiro nos últimos dias a Washington, uma das que mais tem gerado debates é aquela em que entregamos nossa condição de tratamento especial no âmbito da OMC por um apoio dos EUA à nossa entrada na OCDE. Trocamos o quê pelo que, mesmo? De saída, o Brasil rompe com seus pares na OMC, como China, Índia, México, Argentina e se junta ao clube dos ricos de Paris (sede da OCDE). Bem típico do governo Bolsonaro, que prefere jantar na mesa dos ricos, mesmo sem poder pagar a conta, a construir refeições coletivas com os países parceiros, como os do Brics, por exemplo.

- Começou com o presidente do Senado, mas agora já são vários os parlamentares que não compartilharam das mesuras a serem feitas a Bolsonaro durante sua visita oficial ao Chile. Os presidentes da Câmara e do Senado decidiram boicotar o almoço a ser oferecido por Piñera no sábado. Bolsonaro embarca hoje (21/03) para Santiago. No Twitter, o presidente do Senado Jaime Quintana escreveu: “minha convicção não me permite homenagear aqueles que se manifestam contra minorias sexuais, mulheres e indígenas”. Entre os parlamentares que até agora se negaram a estar com o presidente brasileiro há membros do Partido para a Democracia (PPD), Partido Socialista (PS), Partido Democrata Cristão (PDC) e Partido Liberal (PL).

- A Otan possui 29 membros plenos. Destes, apenas EUA, Canadá e Turquia não são Europeus. Todos países posicionados acima do Trópico de Câncer. Isso foi lembrado ontem por dirigentes de países membros da organização, em especial a França e da Alemanha, ao se referirem aos pronunciamentos de Trump de que tentará fazer do Brasil um membro pleno da entidade.

- O presidente Trump obteve uma vitória importante na Suprema Corte dos EUA esta semana. A permissão para detenção de imigrantes com antecedentes penais. Por cinco votos a quatro, a corte permitiu prisão a qualquer momento e por período indefinido até a deportação de migrantes que estejam em liberdade após cumprir pena. A regra anterior era que um imigrante, após cumprir pena, só poderia ser deportado imediatamente após ser colocado em liberdade. Com a nova decisão, pode haver um encarceramento em massa de imigrantes, sem nenhum direito a ver sequer um juiz.

- O Parlamento Europeu terá eleições em maio e está com medo do quê? Fakenews e manipulação das redes sociais. Nos próximos dias deve sair uma declaração da União Europeia pedindo aos países membros que tomem medidas “protetivas” nesse sentido, para evitar ataques externos. Nos bastidores, se referem à Rússia como uma grande ameaça. Em Bruxelas, foi criado um sistema de alerta para todos os países membros e também um site próprio para verificação de fatos.

- O dia D do Brexit ainda é o 29 de março (próximo), mas T. May pediu adiamento e ontem (20/03), o presidente do conselho, Donald Tusk, anunciou que os membros do bloco podem concordar com a extensão do prazo, desde que uma proposta de acordo do Brexit seja aprovada pelo parlamento britânico (já foi rejeitado duas vezes). Em resumo, May quer remarcar o deadline para 30 de junho, mas precisa convencer Tusk de que o parlamento aprovará “o mais rápido possível” os termos do acordo. É como marcar a data do casamento sem que um dos noivos esteja convencido do casório.

- Até ontem (20/03) o nome da capital do Cazaquistão era Astana. A cidade agora se chama Nursultan, primeiro nome do presidente que acaba de renunciar após 30 anos no poder. Novas eleições estão previstas para abril de 2020 e até lá o presidente é o agora presidente do Senado, Kasym-Jomart Tokayev. Nursultan Nazarbayev governou desde 1989, antes da dissolução da URSS, quando foi indicado como primeiro-secretário do Partido Comunista do país e após sua renúncia continuará como presidente do Conselho de Segurança e considerado como “pai da Nação”.

- O Partido Popular (PP) espanhol apresentou um Projeto de Lei que tem gerado indignação na Espanha. O PL determina uma anistia às mulheres que imigram para o país estando grávidas e decidam doar seus filhos para adoção de cidadãos espanhóis. Assim elas não seriam expulsas do país. A anistia, no entanto, seria durante o período da gravidez. Nada garantiria a elas que não fossem expulsas após o nascimento do bebê. Analistas tem dito que o crescimento do partido Vox na Espanha tem levado outros partidos a se posicionarem de modo cada vez mais conservador.

- Um relatório divulgado pela ILGA (Associação Internacional de Gays, Lésbicas, Transexuais e Intersexuais) nesta quarta (20/03), chamado State Sponsored Homophobia (Homofobia Patrocinada pelo Estado), mostra que atualmente a relação entre pessoas do mesmo sexo é considerada crime em 70 países, 23% da população mundial. Em 2017 eram 72 países e 42% da população. Desde então, Trinidad e Tobago, Angola e Índia descriminalizaram o sexo gay.

- A Nova Zelândia está tomando medidas após o atentado contra das mesquitas em Christchurch semana passada. O governo vai proibir equipamentos que façam conversão de alguns tipos de armas para armas semiautomáticas militares e vai proibir a venda de armas semiautomáticas de estilo militar e também fuzis no país. A primeira ministra Jacinda Ardern também pretende realizar uma campanha para devolução de armas já compradas. Além disso, foram criados bloqueios na internet, pelas empresas provedoras, de sites que estavam compartilhando imagens do massacre de Christchurch.

- A tensão na Venezuela segue. Esta manhã o autoproclamado presidente Guaidó foi às redes dizer que seu chefe de gabinete está sequestrado. Não há confirmação da informação pela imprensa. Já Maduro denunciou ontem que cerca de 5 milhões de dólares de ajuda da União Europeia para medicamentos estão sequestrados pelos EUA. Ao fazer a denúncia, Maduro anunciou um protocolo de substituição de importações dos princípios ativos utilizados em vários medicamentos hoje importados pela Venezuela para que sejam produzidos no país.

- O ultraconservador Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria, teve seu partido Fidesz expulso do PPE – Partido Popular Europeu – uma plataforma europeia de partidos de direita. O partido de Orban foi acusado de não respeitar os “valores europeus”.

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