Notas internacionais: Bolsonaro, persona non grata

Perda de patrocínio de evento com Bolsonaro, tensões na Venezuela, internet na Rússia e protestos do Dia do Trabalhador: destaques desta quinta, 2 de maio de 2019

Ana Prestes

Brasília (Brasil)

Bolsonaro persona non grata. Pelo menos três empresas dos EUA, a Delta Airlines (aérea), a Bain & Company (consultoria) e o jornal Financial Times deixaram de patrocinar a cerimônia da Câmara de Comércio Brasil – EUA que este ano homenageará Bolsonaro como “Pessoa do Ano” em evento no próximo dia 14 de maio em Nova Iorque. O evento é realizado anualmente e sempre tem um brasileiro e um norte-americano homenageados. Ano passado o brasileiro escolhido foi Sergio Moro. Alvo de polêmicas, a homenagem a Bolsonaro já havia gerado repúdio do prefeito de Nova Iorque, do Museu de História Natural, que estava reservado para sediar o evento e do restaurante Cipriani Hall, outro local em tentaram como sede. Finalmente o Hotel Marriot sediará a solenidade.

Primeiro de maio em Caracas. Passado mais um intento golpista na Venezuela, no último dia 30/04, ontem (01/05) foi dia de protestos e manifestações tanto de apoiadores de Maduro como dos oposicionistas. As mobilizações não saíram muito do padrão das últimas marchas de ambas as partes, sendo que desta feita há maiores denúncias de repressão por parte do aparato das forças de segurança, em especial na área de Caracas em que se deu a tentativa de golpe no último dia 30. Imprensa divulga que houve duas mortes nos confrontos.

Caracas, 30 de abril. Como efeito da tentativa golpista do último dia 30 na Venezuela, Maduro mudou a chefia do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin). O presidente disse ainda que em nenhum momento a base militar La Carlota chegou a ser tomada por Guaidó e que os oficiais militares e policiais envolvidos foram transportados ao local enganados e por isso abandonaram a cena do pretenso levante ao chegarem lá. No entanto, 25 militares venezuelanos pediram nesse mesmo dia asilo na Embaixada do Brasil em Caracas. A única “liberdade” conquistada pelos oposicionistas no dia 30 foi a de Leopoldo López, que estava em prisão domiciliar e após o fracasso da operação se refugiou na Embaixada do Chile em Caracas e, na sequência, na Embaixada da Espanha. Ele agora tem o status de “fugitivo da justiça” na Venezuela.

Grupo de Lima se reúne dia 3. Alguns países (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru) membros do Grupo de Lima se pronunciaram conjuntamente sobre os fatos do dia 30 na Venezuela. No comunicado, rechaçam o termo “golpe de Estado” para qualificar os intentos de Guaidó, pedem liberação dos “presos políticos”, fazem um chamado à Força Armada venezuelana para manifestar lealdade a Guaidó, acusam Maduro pelo “uso indiscriminado” da violência para reprimir “o processo de transição democrática”, declaram-se em sessão permanente e anunciam reunião para amanhã, 3 de maio em Lima.

Norte-americanos prontos para a intervenção. No mesmo dia 30, de intento de golpe na Venezuela, chegou à Colômbia o general norte-americano Van Maccarty que é o atual comandante do Exército da Carolina do Sul e da Guarda Nacional Aérea dos EUA.  Há notícias de que se reuniu com o Ministro da Defesa da Colômbia e a agenda pública anunciada foi a avaliação da situação da fronteira do país com a Venezuela. Ontem (01/05), Pompeo havia afirmado que os EUA estão preparados para intervir militarmente na Venezuela. Ele chegou a trocar telefonema com o chanceler russo, Serguei Lavrov, que chama a interferência dos EUA de “violação do direito internacional”.

Bolton diz que o hemisfério é deles. Ainda sobre a relação EUA e Rússia no caso Venezuela, é interessante notar que no dia 30 Pompeo acusou os russos de convencerem Maduro a permanecer no país quando este já “estaria preparado para embarcar para Cuba”. O governo russo chamou estas palavras de “campanha de desinformação”. Já Bolton se pronunciou nos jardins da Casa Branca mandando um recado aos russos: “Este é nosso hemisfério. Não é onde os russos devem interferir. É um erro da parte deles”.

Ministro alemão quer cooperação ambiental com Brasil. Itamaraty emitiu sobre a visita do Ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, nos últimos dias 29 e 30 de abril, tendo sido recebido por Araújo e Bolsonaro. A Alemanha é o quarto parceiro comercial do Brasil. A nota diz que há estimativa da presença de cerca de 1.600 empresas alemãs no Brasil. Entre outras coisas, a nota recorda que a proteção, conservação e o uso sustentável das florestas têm estado historicamente no centro da cooperação em matéria ambiental entre o Brasil e a Alemanha e reiteram seu interesse em fortalecer essa cooperação, inclusive com apoio ao Fundo Amazônia. Ao final é relatado que ambos países apoiam o “autoproclamado” Guaidó na Venezuela.

Primeiro de maio em Paris. Foram tensas as manifestações do primeiro de maio em Paris. Houve confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes. Os sindicatos falam em mais de 300 mil pessoas nas ruas e a polícia fala em 160 mil. A polícia reprimiu grupos identificados como “black blocs” e manifestantes dos coletes amarelos.

Putin quer barreira para a internet. O presidente russo Vladimir Putin promulgou ontem (01/05) a lei que objetiva criar uma “internet soberana” na Rússia. A lei permite que os sites russos operem sem passar por servidores estrangeiros, uma espécie de proteção no caso de rompimento das conexões com servidores externos. O “controle de tráfego” da internet também será centralizado pela agência russa de vigilância de meios e telecomunicações, a Roskomnadzor e pela FSB (inteligência russa). A lei tem sido criticada por movimentos que defendem a liberdade de expressão, como a Repórteres Sem Fronteiras e a Human Rights Watch.

Huawei no Reino Unido. O ministro da Defesa do Reino Unido, Gavin Williamson, foi demitido por Theresa May após o vazamento de informações de que o governo britânico havia permitido a operação da chinesa Huawei no país com sua rede de internet 5G. Os EUA estão em grande guerra com a empresa chinesa e têm pressionado países aliados a não permitirem sua operação.

Emergência climática no Reino Unido. Parlamento britânico aprovou moção para declarar “emergência climática” no país.

Refinaria de Pasadena volta para as mãos dos EUA. A Petrobras vendeu a refinaria de Pasadena nos EUA para a norte-americana Chevron. 

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