Matteo x Matteo: A guerra entre Salvini e Renzi na Itália

Ideia de Salvini era pressionar para que a Itália antecipasse as eleições e, assim, a Liga poderia ser o partido mais votado; ex-primeiro-ministro Matteo Renzi voltou à cena e foi várias vezes citado por Salvini

Beatriz Farrugia

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São Paulo (Brasil)

Enquanto os holofotes da imprensa internacional se focavam nas negociações para a formação de um novo governo na Itália, nos bastidores uma guerra era travada entre Matteo Salvini, da Liga Norte, e Matteo Renzi, do Partido Democrático (PD).

O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, que deixou o poder em 2016 após uma derrota em um referendo constitucional, estava há mais de dois anos como coadjuvante na política italiana, no papel de senador. Nas últimas semanas, porém, seu nome voltou à cena e foi várias vezes citado por Salvini nas redes sociais e em discursos públicos.

A guerra tem um motivo claro: o PD estragou as ambições políticas de Salvini. Embalado pela alta popularidade da Liga e pelas pesquisas de intenção de voto, Salvini decidiu romper, no início de agosto, a aliança com o Movimento 5 Estrelas (M5S) que sustentava o governo e o primeiro-ministro Giuseppe Conte.

A ideia de Salvini era pressionar para que a Itália antecipasse as eleições e, assim, a Liga poderia ser o partido mais votado, consagrando-o como o novo primeiro-ministro. No meio do caminho, porém, apareceu o Partido Democrático que, em uma reviravolta não prevista por Salvini e considerada improvável por qualquer analista político, ofereceu-se para constituir um novo governo com o M5S, mantendo Conte como premiê.

"Salvini tentou um fazer uma oferta pública pela Itália. Foi derrotado. Instituições 1 x 0 Populismo", atacou Renzi, pelo Twitter. "Esperando a coletiva de imprensa do próximo ex-ministro do Interior, tenho a impressão que Salvini esteja levemente obcecado por mim. E todo esse caos ele criou sozinho. Relax, homônimo", ironizou o político.

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Ex-primeiro-ministro Matteo Renzi voltou à cena e foi várias vezes citado por Salvini

O ex-premier do PD também afirmou hoje (29/08) que, com o presidente Sergio Mattarella dando o encargo oficialmente a Conte de formar um novo governo, "Salvini sai politicamente de cena". "Hoje existe uma realidade que, há um mês, parecia impossível", comemorou. "Agora ele terá mais tempo para ser DJ na praia. Estamos todos contentes por ele", atacou Renzi.

Já Salvini, em suas redes sociais, acusou Renzi e o PD de serem "instigadores do ódio e da violência" e de se unirem ao M5S apenas para conquistar "poltronas" nos ministérios. "Esse governo de poltronas é minoria não somente na Itália, mas também no Parlamento. Ele nem nasceu ainda e já é baseado no ódio contra Salvini", comentou o líder da Liga Norte.

Em entrevista a um programa de televisão na Itália, Salvini também negou que tenha "errado" em suas previsões de convocar novas eleições. "Erro meu? Seria assim se você considerasse a lógica da velha política. Eu não pensava que haveria parlamentares 'renzianos' que prefeririam, em vez de eleições, formar um governo de Pateta e Mickey'", afirmou, referindo-se aos personagens infantis.

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