Censura sionista ameaça camiseta do clube Palestino no Chile
Uniforme que reproduz bandeira palestina e mapa territorial antes da Nakba foi criticado por diplomata, que sugeriu ‘intervenção das autoridades’ no caso
O embaixador de Israel no Chile, Peleg Lewi, criticou o clube de futebol Palestino de utilizar sua nova camiseta, que reproduz a bandeira da Palestina e traz o mapa do território antes da Nakba (expulsão da sua população em maio de 1948, após a fundação do Estado de Israel), tanto nas mangas quanto na numeração (substituindo o número 1, nos casos de atletas que o utilizem).
Na Rádio Cooperativa do Chile, Lewi afirmou que repudia especialmente a reprodução do mapa, alegando que reproduzir “todo território de Israel como se o país não existisse” não contribui para a paz “nem para o entendimento”.
Curiosamente, o diplomata se refere ao mesmo mapa como “todo o território de Israel”, o que poderia ser interpretado, da mesma forma, como se ele considerasse que a Palestina não existe naquele espaço.
Porém, o que chama mais a atenção na coluna de Lewi é sua alusão a um episódio de 12 anos atrás, quando o clube Palestino utilizou pela primeira vez a reprodução do mapa pré-Nakba em seu uniforme. A menção soou como uma sugestão para que as autoridades atuais do Chile intervenham no caso e proíbam o time de usar a camiseta, como aconteceu em 2014.
“Não é a primeira vez que esta polêmica surge no Chile. No passado, as autoridades do futebol nacional tiveram que intervir para evitar o uso deste mesmo mapa como numeração nas camisetas, porque foi claro que o esporte não deveria se transformar em um espaço de negação política de um Estado reconhecido internacionalmente”, argumentou o embaixador israelense.
A sanção foi aplicada naquele então pela Associação Nacional de Futebol Profissional (ANFP), após pedido de Patrick Kiblisky, então presidente do clube Ñublense e membro da comunidade judaica do Chile.
Negação da Palestina
Em outro parágrafo, o diplomata modera o discurso do seu artigo, afirmando que reconhece, a título pessoal, que “a história, as tradições e a identidade da comunidade palestina merecem respeito, assim como qualquer outra comunidade”.
“O esporte geralmente é um espaço legítimo para expressar pertencimento e orgulho cultural”, reconhece Lewi em trecho que soa contraditório ao seu repúdio à camiseta, mas depois acrescenta que “esse exercício legítimo encontra um limite quando a afirmação de uma identidade implica, direta ou indiretamente, a negação de outra”.

Novo uniforme do clube Palestino
X / @republiqueBRA
Em seguida, o embaixador se refere a Israel como uma nação reconhecida, mas nega a existência da Palestina, ao mencionar somente “o povo palestino” e que este teria “aspirações nacionais legítimas”.
“O desafio não é negar as identidades, mas permitir que elas coexistam. Israel existe como Estado soberano e reconhecido. O povo palestino, por sua parte, tem aspirações nacionais legítimas que também devem encontrar uma expressão política viável. Mas uma aspiração não pode ser construída sobre a base de empréstimo à outra”.
A coluna de Lewi conclui dizendo que o Chile tem sido “historicamente um país que valoriza a diversidade e promove a convivência importadora. Nesse espírito, é importante que todos – incluídos os atores esportivos – contribuam para um clima de respeito mútuo. O futebol pode e deve ser um espaço de encontro, sem exclusão”.























