Descoberto fóssil de gigante herbívoro contemporâneo dos dinossauros

Descoberta indica que dinossauros não eram as únicas criaturas de grandes proporções que habitavam a Terra há 200 milhões de anos; animal do tamanho de um elefante teria pertencido ao mesmo ramo evolutivo dos mamíferos

Redação

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Os dinossauros não eram as únicas criaturas gigantes que vagavam pela Terra há cerca de 200 milhões de anos. Arqueólogos descobriram um fóssil que atribuem a um animal herbívoro que viveu na atual Polônia e foi contemporâneo dos dinossauros.

Os ossos fossilizados foram encontrados no vilarejo de Lisowice, no sul da Polônia. Os cientistas descreveram o animal como uma criatura de quatro patas e do tamanho de um elefante, que teria pertencido ao mesmo ramo evolutivo dos mamíferos, segundo estudo divulgado na revista científica Science nesta quinta-feira (22/11).

Um dos cientistas, Grzegorz Niedzwiedzki, paleontólogo na Universidade de Uppsala, na Suécia, sustentou que o fóssil do animal batizado de Lisowicia bojani desfaz a tese de que os dinossauros eram os únicos grandes herbívoros que existiam no período geológico do Triássico tardio.

A equipe de cientistas poloneses e suecos afirmou que o animal tinha o tamanho de um elefante e estava equipado com um bico córneo, parecido com o de uma tartaruga, para comer plantas.

"O crânio e a mandíbula do Lisowicia bojani eram altamente especializados: desdentados e a boca foi equipada com um bico pontiagudo, como em tartarugas e dinossauros com chifres", disse Niedzwiedzki, que acrescentou que ainda não está claro se o Lisowicia bojani tinha presas.

No artigo, os cientistas afirmaram ter identificado o animal como uma espécie desconhecida do grupo dos dicinodontes – répteis semelhantes a mamíferos herbívoros. O Lisowicia bojani teria pesado 9 toneladas e medido 4,5 metros de comprimento – cerca de 40% maior do que qualquer dicinodonte previamente identificado.

"A descoberta muda nossas ideias sobre a história dos dicinodontes", disse Tomasz Sulej, da Academia Polonesa de Ciências, que trabalhou no estudo. "Também levanta muito mais questões sobre o que realmente fez eles e os dinossauros serem tão grandes."

Segundos os pesquisadores, fatores ambientais no Triássico tardio teriam impulsionado a evolução do gigantismo das espécies na Terra.

Os dicinodontes pertenciam ao mesmo ramo evolutivo dos mamíferos, apesar de sua origem réptil. Eles coexistiram com os saurópodes, ramo da família dos dinossauros que mais tarde deu origem à espécie de dinossauro diplodoco, que habitou a Terra durante o período Jurássico, há aproximadamente 154 a 152 milhões de anos, e ficou conhecida pelo longo pescoço.

Os dicinodontes conseguiram sobreviver à extinção em massa conhecida como The Great Dying (extinção Permiano-Triássica), cerca de 250 milhões de anos atrás, que matou até 90% das espécies da Terra. Mas acreditava-se que eles foram extintos antes do final do período Triássico (entre cerca de 250 e 200 milhões de anos atrás), quando os dinossauros se tornaram dominantes.

Mas as análises mostraram que os espécimes de Lisowicia bojani viveram na época em que os dinossauros haviam se tornado a criatura terrestre dominante e que atingiam para tamanhos enorme.

"O final do período Triássico não foi apenas o momento de ascensão dos dinossauros, foi também a época em que os últimos dicinodontes decidiram competir com os dinossauros. Por fim, os dinossauros venceram essa competição evolucionária", disse Sulej.

picture-alliance/dpa/AP Photo/G. Niedzwiedzki
Ilustração de como teria sido a aparência e a estrutura do recém-descoberto "Lisowicia bojani", encontrado na Polônia

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