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El Salvador: arqueólogos descobrem restos humanos em cidade desaparecida há 1.400 anos

"Pompeia Maia” foi soterrada por vulcão Loma Caldera e transformada em sítio arqueológico; foram os primeiros restos de vítimas revelados em mais de 40 anos de escavação

Redação

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O Ministério da Cultura de El Salvador revelou nesta quinta-feira (22/11) o descobrimento de ossadas humanas na cidade de Joya de Cerén, que foi dizimada pelo vulcão Loma Caldera, há cerca de 1400 anos. 

A região é apelidada de “Pompeia Maia”, em alusão à cidade italiana de mesmo nome que foi engolida pelo vulcão Vesúvio no ano 79 depois de Cristo, ainda durante o Império Romano. 

Os pedaços de esqueleto foram encontrados a 35 quilômetros da capital San Salvador, em um sítio arqueológico protegido pela UNESCO como Patrimônio Mundial desde 1993. Junto aos restos mortais, os escavadores também identificaram uma faca obsidiana, artefato rudimentar composto de vidro e com saliências na lâmina. 

Por meio de um comunicado oficial, o Ministério da Cultura confirmou que a descoberta de restos humanos é a primeira em 40 anos de buscas: “Esta é a primeira vez em mais de 40 anos de investigação que se descobrem restos humanos em Joya de Cerén”, diz o texto. 

Segundo a arqueóloga Michelle Toledo, responsável pelas atividades, os ossos e a ferramenta foram encontrados em um buraco com restos orgânicos, que possivelmente serviu de vala para um enterro comum, sem relação com a erupção do Caldera. 

"Há alguns dias foi identificado um buraco que continha restos orgânicos e ósseos. A limpeza foi feita e foi determinado que era um enterro de uma pessoa que provavelmente habitava a aldeia, mas que não morreu por causa da erupção”, disse a especialista. 

Ministério da Cultura de El Salvador/Reprodução
Pesquisadores encontraram primeiros restos humanos em mais de 40 anos de escavação

Pompeia das Américas

A erupção do vulcão Loma Caldera há cerca de 1400 anos destruiu uma série de antigas localidades maias da época, além de ser responsável pela formação do Lago Ilopango, o maior de El Salvador, que tem cerca de 72 quilômetros quadrados de extensão.

Mesmo com a devastação, os locais atingidos pelo vulcão ainda guardam traços culturais da antiga civilização nativa, o que motivou o governo salvadorenho a oficializar a região de Joya de Cerén como um sítio arqueológico. 

Três dias antes da descoberta das ossadas, na última terça-feira (20/11), a embaixadora dos Estados Unidos em El Salvador, Jean Manes, visitou os locais escavados para o início das celebrações dos 25 anos da cidade como Patrimônio Mundial.

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