Fósseis retratam dia em que asteroide matou os dinossauros

Pesquisadores encontram nos EUA quantidade inédita de fósseis de criaturas que morreram minutos após o impacto que, segundo cientistas, selou fim dos dinossauros, há 66 milhões de anos

Redação

Deutsche Welle Deutsche Welle

Bonn (Alemanha)

Pesquisadores nos Estados Unidos afirmam ter encontrado uma quantidade inédita de fósseis de várias criaturas que teriam morrido minutos após o impacto do asteroide que, acreditam cientistas, selou o fim dos dinossauros na Terra, há 66 milhões de anos.

Num estudo divulgado nesta segunda-feira (01/04) pela publicação científica Proceedings of the Academy of Natural Sciences, uma equipe de paleontologistas reunida pela Universidade do Kansas diz ter encontrado um "filão principal de fósseis de animais e peixes primorosamente preservados" no estado da Dakota do Norte, nos EUA.

Os pesquisadores afirmam que encontraram provas de que o asteroide, que atingiu o território atual do México e gerou a cratera de Chicxulub, na Península do Yucatán, provocou chuvas de fragmentos flamejantes que fossilizaram animais, deixaram resquícios de árvores queimadas, evidências de um tsunami em terra e amostras de âmbar derretido. Alguns fósseis de peixes tinham resíduos de vidro quente em suas guelras.

Com o impacto do asteroide, que gerou terremotos de proporções maiores do quaisquer outro nos dias atuais, 75% de toda a vida na Terra foi extinta. Os pesquisadores acreditam que o evento gerou abalos sísmicos que resultaram no rápido surgimento de uma torrente maciça de água e destroços vindos um braço do chamado Mar Interior Ocidental, que cortava o continente.

Na formação chamada de Hell Creek, na Dakota do Norte, foi encontrada uma "massa emaranhada de peixes de água doce, vertebrados terrestres, árvores, galhos, troncos, amonóides marinhos e outras criaturas", afirmou o pesquisador-chefe do estudo, Robert DePalma.

Alguns peixes teriam ingerido dejetos associados ao evento de Chicxulub, o que sugere que os abalos sísmicos atingiram a área onde hoje se localiza a Dakota do Norte em poucos minutos.

"A sedimentação ocorreu de maneira tão rápida que tudo está preservado em três dimensões, sem ter sido esmagado", disse o coautor do estudo David Burnham. "É como uma avalanche que desaba quase como um líquido e aí se transforma em concreto. Eles foram mortos imediatamente em razão da violência da água", afirmou.

Os fósseis encontrados incluem o que os cientistas acreditam ser espécies ainda não identificadas de peixes e alguns que são os melhores exemplares de outras já conhecidas. "Observamos o registro momento a momento de um dos mais notáveis eventos de impacto na história da Terra. Nenhum outro local possui registros como esse", disse DePalma.

"Este evento, em particular, está diretamente associado a todos nós – de fato, a todos os mamíferos da Terra. Isso porque, foi essencialmente a partir dali que herdamos o planeta. Nada mais foi o mesmo após o impacto. [A Terra] se tornou um planeta de mamíferos em vez de um planeta de dinossauros."

Paralelamente a essa pesquisa, uma equipe de cientistas da Universidade de Amsterdã afirma ter encontrado pegadas de dinossauros que remetem a pouco antes do desaparecimento desses animais. O pesquisador Jan Smit disse que as pegadas – uma delas do herbívoro hadrossauro e outra de um pequeno carnívoro – seriam "prova definitiva de que os dinossauros estavam bem vivos durante a época do impacto [...] eles corriam por aí, perseguindo uns aos outros", observou.

AFP/ Kansas University/R. DePalma
Pesquisador mostra um fóssil de peixe que morreu minutos após o impacto

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