Louvre exibe vestígios restaurados de impérios esquecidos

Exposição apresenta pela primeira vez na França as partes de Tell Halaf, importante sítio arqueológico da Síria, encontrada perto da atual fronteira com a Turquia e onde barão alemão Max Von Oppenheim descobriu entre 1911 e 1913 palácio do rei Kapara

Redação

Agência EFE Agência EFE

Paris (França)

O Museu do Louvre, em Paris, exibe pela primeira vez a partir desta quinta-feira esculturas monumentais em basalto que decoravam o palácio do rei arameu Kapara, 900 anos antes de Cristo, restauradas após os grandes estragos que sofreram durante a Segunda Guerra Mundial.

A mostra faz parte da exposição "Reinos Esquecidos - do Império Hitita aos Arameus", que convida o visitante a "redescobrir os locais míticos dessa civilização esquecida".

"A queda do império hitita, 1200 a.C., fez aparecer os reinos neo-hititas e arameus nos territórios atualmente da Turquia e da Síria, que foram herdeiros das suas tradições políticas, culturais e artísticas", contou à Agência Efe o curador da mostra, Vincent Blanchard.

A exposição apresenta pela primeira vez na França as partes de Tell Halaf, importante sítio arqueológico da Síria, encontrada perto da atual fronteira com a Turquia e onde o barão alemão Max Von Oppenheim descobriu entre 1911 e 1913 o palácio do rei Kapara.

No entanto, os tesouros neo-hititas tiveram uma história turbulenta. Em 1928, o alemão, que também era arqueólogo, levou para Berlim as esculturas monumentais em basalto que decoravam o palácio real e que foram expostas na capital alemã em 1930, em uma antiga fundição transformada em museu. Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, uma bomba de fósforo caiu no local.

"Os bombeiros que foram apagar as chamas provocaram involuntariamente a destruição do basalto", revelou Blanchard.

Milhares de fragmentos ficaram guardados em Berlim por mais de 50 anos.

"No final dos anos 90, tentaram reconstruir estas estátuas e a partir dos 27 mil fragmentos foi possível refazer 65 elementos, estátuas, relevos e itens da arquitetura", explicou curador.

Para Blanchard, a exposição, que ficará aberta ao público até 12 de agosto, é "um testemunho surpreendente dos esforços realizados para preservar o patrimônio em risco".

EFE/Diana Buitrago
Colunas encontradas em Tell Halaf em 1928 estão expostas no Louvre

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