Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
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Um barco de luxo do antigo Egito, correspondente ao primeiro século, foi encontrado por arqueólogos perto da ilha submersa de Antirhodos, na costa da Alexandria, de acordo com o jornal The Guardian.

A embarcação, encontrada em uma região que fazia parte do antigo Portus Magnus (grande porto) da cidade egípcia, era usada para lazer e tinha 35 metros de comprimento, além de madeiras de sete metros de largura.

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Segundo o periódico britânico, o barco “foi construído para abrigar um pavilhão central com uma cabine luxuosamente decorada”, seguindo as grandes construções de Alexandria. A cidade já abrigava uma das maravilhas da antiguidade, o Farol de Alexandria — que tinha 130 metros de altura.

Tais características seguem uma descrição feita pelo historiador grego Estrabão durante uma visita à cidade egípcia entre 29-25 a.C. Na época, registrou: “Essas embarcações são luxuosamente equipadas e usadas pela corte real para excursões; e a multidão de foliões que desce de Alexandria pelo canal para os festivais públicos”.

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Segundo os registros de Estrabão, os barcos eram usados “todos os dias e todas as noites, lotados de pessoas que tocavam flauta e dançavam sem restrições e com extrema licenciosidade”.

Os responsáveis pela descoberta foram os profissionais do Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática (IEASM), dirigidos pelo professor visitante de arqueologia marítima na Universidade de Oxford, Franck Goddio.

Farol de Alexandria,  que tinha 130 metros de altura e é considerada uma das maravilhas da antiguidade
Johann Bernhard Fischer von Erlach/Wikicommons

Segundo Goddio, que classificou a descoberta como “extremamente emocionante”, esta é a primeira do tipo no Egito. “Esses barcos foram mencionados por diferentes autores antigos, como Estrabão, e também foram representados em algumas iconografias. Mas [um barco de verdade] nunca havia sido descoberto antes”, disse ao Guardian.

“A proa é plana e a popa é arredondada, para permitir a navegação em águas muito rasas”, explicou, acrescentando que o transporte poderia exigir até 20 remadores para se locomover.

O professor de Oxford, que explora a área em parceria com o Ministério das Antiguidades do Egito desde 1992 e é responsável por outras descobertas únicas na região, afirmou também que o barco estava a apenas sete metros de profundidade e 1,5 sob sedimento.

Goddio acredita que o barco, encontrado a menos de 50 metros do sítio arqueológico do Templo de Ísis [deusa egípcia], também objeto de seus trabalhos, pode ter afundado durante a destruição desse complexo antigo por volta de 50 d.C. A destruição pode ter ocorrido com os consecutivos terremotos e tsunamis que destruíram o Porto Magnus e demais construções em Alexandria.

O especialista também disse que outra teoria é que o barco pode ter sido usado como uma parte do Templo de Ísis, cumprindo um papel “sagrado”. Segundo o professor, a embarcação era útil “quando uma procissão em celebração à deusa Ísis encontrava uma embarcação ricamente decorada – o Navigium – que representava a barca solar de Ísis, senhora do mar”.

Outra vertente a descoberta são pichações em grego encontradas na moldura central do barco, mas que ainda não foram decifradas. Para Goddio, as pesquisas podem elucidar sobre “a vida, a religião, o luxo e o prazer nas vias navegáveis ​​do antigo Egito romano”.

Apesar das descobertas que ainda podem ser feitas, os arqueólogos estão seguindo as recomendações da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que indica deixar os destroços no fundo do mar. De acordo com as orientações, as escavações ainda serão retomadas e demais áreas exploradas.