15 anos após tragédia de Fukushima, Japão planeja reativar maior usina nuclear do mundo
Reator da Kashiwazaki-Kariwa foi desligado após pior acidente da categoria desde Chernobyl, que forçou a evacuação de 160 mil pessoas; moradores relatam preocupação
A Tepco (Tokyo Electric Power Company), empresa de energia elétrica responsável pelo fornecimento de eletricidade para Tóquio e para a região leste do país planeja reiniciar um dos sete reatores nucleares da usina de Kashiwazaki-Kariwa. A instalação ocupa uma área de 4,2 km² na província de Niigata, na costa do Mar do Japão, e é considerada a maior usina nuclear do mundo.
A companhia que operava a usina nuclear de Fukushima Daiichi foi responsável pela instalação quando um tsunami ultrapassou suas defesas em março de 2011, provocando um apagão que levou ao derretimento de três de seus reatores e forçou a evacuação de cerca de 160 mil pessoas. O desastre é lembrado como o pior acidente nuclear do mundo desde Chernobyl.
Segundo o jornal britânico Guardian, desde 2012 a usina de Kashiwazaki-Kariwa, que gera 8,2 gigawatts de eletricidade, está desativada, juntamente com dezenas de outros reatores no Japão, desligados na sequência após o acidente nuclear em 2011.
No entanto, a emissora pública NHK destacou nesta segunda-feira (19/11) que a Tepco informou que após uma falha no alarme durante um teste de equipamentos realizado no final de semana, a empresa decidiu antecipar a retomada das operações, com a previsão de religar o reator nos próximos dias.

Usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa
AIEA
Com a retomada das operações do reator nº 6, o fornecimento de eletricidade para a região de Tóquio deverá aumentar cerca de 2%. A medida marca um lento retorno do Japão à energia nuclear, política que segundo o governo ajudará o país a atingir metas de redução de emissões e a fortalecer sua segurança energética.
Entretanto, para a população que vive a 30km de Kashiwazaki-Kariwa, o retorno da empresa Tepco à geração de energia nuclear é visto como perigoso. Ouvido pela reportagem de Guardian, Ryusuke Yoshida, de 76 anos, cuja casa fica a menos de dois quilômetros e meio da usina, na vila de Kariwa, “os planos de evacuação são obviamente ineficazes”. Para ele, “tudo” preocupa em relação à retomada das operações.
De acordo com a empresa, o acidente de Fukushima Daiichi serviu como lição, e a Tepco prometeu que, no início deste ano, 470 milhões de libras esterlinas (aproximadamente 3,2 bilhões de reais) serão investidas na província de Niigata ao longo dos próximos dez anos, na tentativa de conquistar a confiança dos moradores.
Além disso, a usina de Kashiwazaki-Kariwa, que permanece em serviço no decorrer da paralisação, passou a contar com muros de contenção e portas estanques com o intuito de oferecer maior proteção contra tsunamis. Geradores móveis a diesel e caminhões estão preparados para oferecer água para resfriar os reatores em casos emergenciais.























