Afeganistão acusa Paquistão de ataque na fronteira e alega ‘crime de guerra’
Governo paquistanês nega envolvimento no caso e afirma que país vizinho estaria promovendo ‘esforço de propaganda’
Em comunicado difundido nesta terça-feira (05/05), o governo do Afeganistão acusou as forças militares do vizinho Paquistão de realizarem um ataque contra civis em uma região fronteiriça próxima à Cabul, capital do país.
Segundo a nota, o ataque resultou na morte de três pessoas e deixou 14 feridos. Entre as infraestruturas civis atingidas estão casas, escolas, um centro de saúde e mesquitas na província de Kunar, no nordeste do país.
As autoridades afegãs descreveram o episódio como um “ato deliberado promovido por Islamabad”, e como um “crime de guerra”.
Por sua parte, o governo do Paquistão nega as acusações e alega que Cabul estaria forjando provas para incriminar o país por um ataque que não envolve suas forças militares.
Em publicações nas redes sociais, o Ministério da Informação paquistanês afirmou que as imagens divulgadas pelo próprio governo afegão mostram que os danos causados às infraestruturas em Kunar “não são compatíveis com ataques de artilharia”.
Islamabad também afirmou que a acusação afegão faz parte de “um esforço de propaganda” para desacreditar seu país, e também fez alusões a que poderia se tratar de um “atentado de falsa bandeira”.
Histórico do conflito
Vale lembrar que os dois países vêm mantendo conflitos em suas fronteiras desde que o grupo Talibã retomou o controle político e militar do Afeganistão, em agosto de 2021, com a saída das forças dos Estados Unidos de seu território.
Um acordo de cessar-fogo está vigente desde março passado, alcançado através de intermediação da China.

Escola na província afegã de Kunar que teria sido um dos alvos do ataque
Governo do Afeganistão
Inicialmente, a trégua duraria apenas durante o período do Ramadã. Porém, o acordo foi prorrogado em abril por tempo indeterminado.
No entanto, desde o início do cessar-fogo, ambos os países registraram incidentes próximos às suas fronteiras: o Paquistão fez uma denúncia em abril, enquanto o Afeganistão fez sua segunda reclamação nesta terça, após incidente em março.
Até o momento, nenhum dos dois governos se pronunciou se o episódio mudaria o status do conflito.
























