Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Fortes enxurradas de água barrenta deixaram ao menos 95 mortos nesta quarta‑feira (26/08) no Nepal, no qual 384 turistas estão desaparecidos, segundo as autoridades locais. Do outro lado da fronteira, no Tibete, a China também relata “inúmeras vítimas”, de acordo com a mídia estatal.

Imagens divulgadas pela polícia nepalesa mostram a enxurrada avançando por um rio e arrastando casas. Fotos da AFP registram apenas o último andar de uma residência emergindo de um solo tomado pela lama; outras mostram veículos imersos.

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“Vi a água levar oito ou nove caminhões, além de casas e pessoas”, contou Suman Chalise, professor de 34 anos, em Nuwakot. “Foi absolutamente devastador. Vi caminhões sendo arrastados pela correnteza. Nunca tinha testemunhado nada dessa magnitude”.

A polícia informou ter encontrado 19 corpos. Segundo o porta-voz Abi Narayan Kafle, vários agentes que atuavam na região também continuam desaparecidos.

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Turistas desaparecidos

Um primeiro levantamento feito por empresas de turismo e agências de viagem identificou 384 turistas, 291 estrangeiros e 93 nepaleses, desaparecidos nas áreas atingidas, segundo o Escritório Nacional de Turismo, que tenta confirmar o paradeiro dos viajantes.

A polícia também divulgou nas redes sociais imagens de uma onda gigantesca descendo por um vale do Himalaia, em um distrito fronteiriço com a China.

A enxurrada atingiu Syabrubesi, ponto de partida da famosa trilha do Langtang, e outras áreas frequentadas por viajantes que fazem o passeio de peregrinação hindu ao Kailash Mansarovar.

Reunião de emergência

O Exército enviou equipes e helicópteros ao local, que informou que a realização de um “trabalho de avaliação dos danos estava em andamento”.

A Autoridade de Gestão de Eletricidade relatou danos em várias instalações locais, incluindo barragens e usinas solares, e registrou cortes de energia.

O primeiro‑ministro, Balendra Shah, anunciou nas redes sociais que convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Crises. “O trabalho já começou para coordenar as medidas necessárias com equipes médicas, de busca e com a Cruz Vermelha”, afirmou no X.

Uma corrente de lama também provocou vítimas e desaparecidos no posto fronteiriço de Gyirong, no Tibete, segundo a agência estatal Xinhua. Situado no Himalaia, o local é um dos principais pontos de passagem terrestre entre China e Nepal.

Momento em que a avalanche atinge um vilarejo no Tibete
Reprodução vídeo / X / @Akhand_Bharat_S

‘Prioridade absoluta’

Imagens da TV estatal chinesa CCTV mostram águas turbulentas carregando galhos, detritos e inundando uma estrada. As autoridades chinesas ainda não divulgaram um balanço oficial de vítimas.

“A prioridade absoluta é mobilizar todos os recursos para buscar e resgatar os desaparecidos, evacuar e realocar moradores em risco, atender rapidamente os feridos e reduzir ao máximo o número de vítimas”, declarou o presidente Xi Jinping, citado pela Xinhua.

Inundações e deslizamentos são frequentes durante a monção de verão, período de chuvas intensas que se estende de junho a setembro no Nepal e em toda a Ásia do Sul.

Em julho de 2025, 17 pessoas desapareceram após um deslizamento perto de Gyirong, segundo a agência chinesa. Cientistas afirmam que o aquecimento global aumenta a intensidade e a frequência desses eventos.