Sinais de uma perturbação mais profunda não são imediatamente visíveis ao longo da cerca oeste da Base Aérea de Kunsan, a segunda base da Força Aérea dos EUA na Coreia do Sul. De frente para o mar, a área foi tomada pela vegetação rasteira, com exceção de alguns arrozais cultivados por arrendatários que alugam a terra do Ministério da Defesa da República da Coreia (ROK).
Uma comunidade inteira já existiu neste local. Conhecida como Vila Haje, a área abrigava 2.500 moradores, distribuídos em 664 famílias, que tiravam seu sustento dos bancos de mariscos e da pesca locais. A partir de 2005, essas famílias começaram a ser deslocadas depois que as terras onde viviam foram confiscadas pelo Ministério da Defesa para a criação de uma zona de segurança ao redor da Base Aérea de Kunsan, onde um novo depósito de munições estava sendo construído.
Hoje, não restam construções na Vila Haje, apenas fundações de pedra ocasionais, rebocadas sobre a terra como lápides para algum gigante falecido. Durante minha visita, vi um desses locais, onde ficava a antiga escola primária da Vila Haje. Nosso guia, Gu Jung-seo, um líder ativista local, nos contou que as duas últimas famílias foram despejadas em 2022. Ele disse que o Ministério da Defesa enviou escavadeiras para demolir suas casas em uma semana.
A vila de Haje desapareceu, mas a terra não foi totalmente abandonada. Na periferia da antiga comunidade, permanece um último monumento ao passado, que também pode servir de guardião para o futuro desta área. Trata-se de um pé de hackberry de 600 anos, mais antigo que os próprios Estados Unidos, que também impede a expansão da Base Aérea de Kunsan nesta direção.
Conhecida como Celtis sinensis , a árvore de hackberry asiática é uma grande árvore decídua da família do cânhamo. Apreciada por suas qualidades ornamentais e medicinais em todo o nordeste da Ásia, a hackberry pode atingir até 20 metros de altura e largura, e tem uma vida útil de mais de 150 anos. Com 600 anos de idade, a hackberry no antigo sítio da Vila Haje é excepcionalmente longeva.