Conflito entre Camboja e Tailândia já deslocou mais de 900 mil pessoas
Confrontos na fronteira entre os dois países geram crise humanitária; EUA e UE, que vendem armas à região, apelam por cessar-fogo
O conflito entre o Camboja e a Tailândia já provocou o deslocamento forçado de mais de 900 mil pessoas só em dezembro, além de dezenas de mortes nas últimas duas semanas. Os confrontos se concentram na fronteira entre os dois países e têm origem histórica, que se arrasta desde o período colonial francês.
Do lado cambojano, mais de 500 mil pessoas foram deslocadas devido ao conflito, anunciou o governo local neste domingo (21/12), véspera de mais uma tentativa de negociação para acalmar as tensões entre os dois lados.
“Mais de meio milhão de cambojanos, incluindo mulheres e crianças, estão passando por graves dificuldades devido ao deslocamento forçado de suas casas e escolas para escapar dos tiros de artilharia, foguetes e bombardeios aéreos realizados por (aviões de combate) F-16 tailandeses”, informou o Ministério do Interior do Camboja em um comunicado, estimando em 518.611 o número total de pessoas evacuadas.
Na Tailândia, cerca de 400 mil pessoas foram deslocadas devido à retomada do conflito na fronteira entre os dois países, segundo Bangkok. O porta-voz do Ministério da Defesa tailandês, Surasant Kongsiri, disse aos jornalistas neste domingo que o número de pessoas deslocadas e alojadas em abrigos diminuiu, embora mais de 200 mil ainda se encontrem nos centros de evacuação.
Ele pediu aos moradores autorizados a voltar para suas casas que sigam atentamente as instruções, “pois ainda pode haver minas ou bombas perigosas”.

Conflito entre Camboja e Tailândia já forçou mais de 900 mil pessoas a fugirem de casa
Adam Jones / Wikimedia Commons
Apelos a um cessar-fogo
O conflito tem origem em uma antiga disputa sobre 800 km de demarcação da fronteira estabelecidos na época colonial francesa, bem como uma série de templos antigos localizados ao longo da zona limítrofe.
Cada lado acusa o outro de instigar os confrontos e atacar civis. Anteriormente, dezenas de pessoas morreram em julho em cinco dias de combates.
A China, a União Europeia, os Estados Unidos, a ONU e a Malásia, além do presidente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), pediram um cessar-fogo.
“Oportunidade para ambas as partes”
O Camboja, cujo exército é inferior ao de Bangcoc em termos de recursos, destacou neste domingo que as forças tailandesas continuaram seus ataques ao amanhecer, relatando combates perto do templo khmer de Preah Vihear, com 900 anos de história, cobiçado pela Tailândia.
De acordo com os balanços oficiais, os confrontos causaram pelo menos 41 mortos – 22 do lado tailandês e 19 do lado cambojano – desde o reinício dos combates em 12 de dezembro. Em julho, um episódio anterior de violência causou 43 mortos em cinco dias.
Os ministros das Relações Exteriores da Asean, junto aos da Tailândia e do Camboja, devem se encontrar nesta segunda-feira (22) em Kuala Lumpur, capital da Malásia, para uma reunião especial destinada a discutir o conflito.
























