“A aliança militar EUA-Japão-Coreia do Sul, inequivocamente dirigida à Coreia do Norte, está sendo transformada pelos Estados Unidos em um bloco militar mais ofensivo e agressivo, com componente nuclear”, declarou Kim Song Yong, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular Democrática da Coreia, na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU.
“A Península Coreana e as suas imediações enfrentam uma instabilidade extrema e uma tensão ainda mais agravada, em nível diferente do registrado no ano passado, devido à hostilidade persistente contra a RPDC e ao confronto militar cada vez maior dos EUA e de seus seguidores”, afirmou nesta segunda-feira (28/09).
O vice-chanceler acrescentou que Washington está “conspirando com os seus aliados” para emendar e atualizar sistematicamente o NTD (sigla em inglês para Documento de Estratégia de Defesa Nuclear), os cenários de guerra nuclear contra a RPDC, e para “cultivar e dominar continuamente a sua capacidade de desempenho através de provocativos ensaios de guerra de todos os matizes e da acumulação militar”.
Song Yong também listou que, somente neste ano, os Estados Unidos realizaram uma série de exercícios militares, bilaterais e multilaterais, incluindo Freedom Shield e Freedom Edge, simulando um cenário de guerra real. “Nem sequer se preocuparam em esconder a sua perigosa tentativa de confronto militar contra a RPDC.”
Dessa forma, para o representante da Coreia do Norte na ONU, isso representa um “sério panorama” de confronto entre “justiça e injustiça” e entre “forças hegemônicas e forças independentes”, algo que está sendo testemunhado no Nordeste Asiático neste ano.
“A soberania, segurança, interesses e a integridade territorial dos Estados soberanos são impiedosamente pisoteados”, observou, acrescentando que “uma ordem jurídica internacional desmoronou-se fragilmente devido à prepotência unilateral e à tirania de um Estado hegemônico. Uma realidade tão sombria nas relações internacionais nos ensina uma lição séria”, disse.
Em seu discurso, Song Yong apontou que Washington “aprova e encoraja” a Coreia do Sul a desenvolver submarinos nucleares, ao mesmo tempo que realiza e implanta diferentes equipamentos militares, incluindo os mais recentes mísseis e drones, na Península Coreana e nas suas imediações.
“A atual inclinação militar está agravando ainda mais o já vulnerável panorama de segurança na região”, observou, acrescentando que “o contexto militar e político global está piorando dia após dia, e o abuso ilimitado do poder tornou-se lugar-comum”.
Por outro lado, ele acrescentou que o Japão, “um criminoso de guerra de Classe A que infligiu sofrimentos e desastres incalculáveis à humanidade no século passado, está tirando proveito da atual turbulência internacional”. Ou seja, o país está acelerando suas tentativas de rearmamento “com um compromisso sem precedentes”, incluindo a revisão da constituição de paz, o abandono da defesa exclusiva, a reforma da estrutura militar e a acumulação de armamentos.
“Tais ações estão lançando nuvens de guerra sobre toda a região sob a insígnia de uma capacidade de contra-ataque”, acrescentou.
“O Japão dedicou-se ao desenvolvimento e posse de armas de ataque de longo alcance que colocam os países vizinhos sob sua mira. A sua ambição contraria as suas obrigações como nação derrotada. Isso revela um desrespeito vergonhoso pela Carta da ONU e representa um grave desafio à paz global”, afirmou.
Nessas circunstâncias, continuou seu discurso na Assembleia Geral, a “arriscada ameaça militar” dos EUA, do Japão e da Coreia do Sul supera todos os precedentes e continua a quebrar os piores recordes “em escala, intensidade, natureza e perigos, criando instabilidade de segurança na Península Coreana em nível diferente dos anos anteriores”, disse.
No entanto, Kim Song Yong relembrou que “nenhum conflito físico” ocorreu na Península Coreana e nas suas imediações, e o índice de segurança “está sendo mantido a um nível mais elevado do que em qualquer outra parte do globo”.
“Devemos isso ao fato de a RPDC ter um elemento de dissuasão de guerra em vigor, suficientemente poderoso para quebrar a vontade de qualquer um de iniciar uma guerra de agressão contra a RPDC, e de estarmos contendo e gerindo minuciosamente a intenção das forças hostis de usar a força”, afirmou.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular Democrática da Coreia instou as Nações Unidas a “cumprirem a sua missão e responsabilidade como uma organização estabelecida para salvar as gerações futuras do flagelo da guerra”.
“A fim de superar todas as crises e desafios existentes e promover a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável, todos os Estados-Membros devem procurar soluções adequadas para os problemas, cumprindo rigorosamente os propósitos e princípios intrínsecos da Carta da ONU e dando prioridade à unidade e à cooperação entre as nações”, acrescentou.
Ainda em seu discurso na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, Kim Song Yong defendeu a soberania de seu país, destacando que as capacidades autodefensivas “limitam eficazmente o risco de um conflito armado”. “Ninguém pode negar um fato tão óbvio. Isso destacou ainda mais a verdade imutável de que o poder justo significa soberania e prestígio nacionais, e garantia fundamental de paz e estabilidade”, disse.
Citando o chefe de Estado da República Popular Democrática da Coreia, Kim Jong Un, afirmou que a soberania e segurança nacionais foram “firmemente asseguradas em virtude de uma grande força até agora, e serão invariavelmente assim nos anos vindouros”.
“A RPDC, como elemento de dissuasão nuclear, é o poder absoluto e a força irresistível concebida integralmente para salvaguardar a soberania, a segurança e a paz contra a agressão e a ameaça externas”, disse.
Nesse sentido, Song Yong reiterou a posição oficial do governo: “o estatuto da República Popular Democrática da Coreia como Estado possuidor de armas nucleares, que foi inflexível e permanentemente fixado, tanto física como legalmente, sem qualquer possibilidade de reversão, nunca pode ser revertido em quaisquer circunstâncias ou por quaisquer meios, por mais forte e ruidosamente que as forças hostis o neguem”.
“Diante de todo o tipo de retórica, a RPDC continuará a controlar e gerir rigorosamente todas as ameaças externas por meio da sua primazia e força avassaladora, e será final e fielmente dedicada à nossa missão como Estado responsável possuidor de armas nucleares, de defender firmemente a soberania nacional e os interesses fundamentais, e de garantir a paz e a segurança da região e do mundo”, disse.