Coreia do Norte vive ‘sucesso econômico’ apesar de sanções, reconhece jornal dos EUA
Wall Street Journal apontou que envio de tropas à Rússia, comércio com China e programa nuclear como fator de dissuasão impulsionaram economia do país socialista após pandemia
Em raro reconhecimento da imprensa norte-americana, o jornal Wall Street Journal (WSJ) publicou neste domingo (07/06) uma reportagem intitulada ‘A história de sucesso econômico mais surpreendente do mundo é… Coreia do Norte’, por onde relatou as transformações mais significativas no país asiático, principalmente na capital Pyongyang, desde a pandemia de covid-19.
“A Coreia do Norte é a história de crescimento mais improvável do mundo. Sua economia está prosperando de maneiras não vistas há anos, auxiliada por vendas de armas e envio de tropas para a Rússia, suprimentos e financiamento da China, além da capacidade de desafiar sanções internacionais para importar mais energia, componentes e materiais”, afirma o veículo.
A reportagem atribuiu parte do impulso econômico ao alinhamento com Rússia e China, países que têm poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) e têm defendido o alívio das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos pelo órgão internacional contra a Coreia do Norte. Desde o início da operação militar de Vladimir Putin na Ucrânia, em 2022, o governo de Kim Jong Un teria enviado munições e mais de 15 mil soldados para auxiliar a Rússia, destacou o WSJ.
“As vendas de armas teriam rendido ‘bilhões de dólares’ a Pyongyang, segundo estimativas do Instituto para a Estratégia de Segurança Nacional (INSS), think tank afiliado à agência de espionagem da Coreia do Sul”, diz o jornal.
Somado a isso, o WSJ também informou que o comércio mensal com a China atingiu o maior nível dos últimos oito anos, e marcas chinesas de consumo estariam fazendo negócios no país vizinho.
A reportagem ainda recordou que, em 2017, os Estados Unidos e a ONU endureceram as sanções contra o país em resposta ao desenvolvimento de seu programa nuclear. Durante seu primeiro mandato, o presidente norte-americano Donald Trump se reuniu com Kim três vezes, mas fracassou em alcançar um acordo para limitar o programa nuclear de Pyongyang.
“O programa nuclear de Kim até agora tem se mostrado um fator de dissuasão contra ataques militares ou tentativas de destituí-lo à força do poder, permitindo que ele mude seu foco para a economia. O progresso econômico diminui a esperança de um acordo nuclear com os EUA, já que Washington frequentemente ofereceu alívio de sanções ou incentivos econômicos para que Pyongyang congelasse, interrompesse ou abandonasse seu programa nuclear”, afirma o WSJ.

Coreia do Norte vive crescimento econômico ‘improvável’, diz Wall Street Journal
KCNA
Parte do desenvolvimento econômico norte-coreano também é atribuído ao “boom nacional de construção”. No ano passado, a nação construiu pelo menos dez mil novas casas em Pyongyang, “mais do que em Los Angeles ou Chicago”, conforme o jornal.
Com base em dados de think tanks sul-coreanos, a economia da Coreia do Norte marcou um crescimento recorde em 2024 com aumento de 3,7%, a taxa mais rápida em oito anos, e seguiu em ritmo positivo nos anos posteriores.
“Os restaurantes lá servem pizza de forno de tijolos e asinhas de frango. Os clientes podem pagar por meio de um sistema móvel de código QR. Veículos elétricos chineses passam pelas ruas. Pyongyang tem novas lojas de animais, um café de jogos online e concessionárias de carros vendendo BMW”, descreve o WSJ.
A reportagem também mencionou a proliferação de smartphones na Coreia do Norte, com produção doméstica estimada em meio milhão de dispositivos por ano e mais de 50 marcas diferentes.
Ao WSJ, o pesquisador Stephan Haggard, da Universidade da Califórnia, San Diego, classificou o cenário atual como uma “conquista incrível para um país tão pobre”, enquanto uma ex-alta funcionária para assuntos norte-coreanos no governo norte-americano de Joe Biden reconheceu que “o regime está mais rico do que nunca”.
























