O gabinete presidencial da Coreia do Sul desmentiu em um primeiro momento os recentes relatos da mídia local que alegam que o governo está considerando enviar tropas e recursos militares para o Estreito de Ormuz, atendendo aos apelos do presidente norte-americano Donald Trump. De acordo com um comunicado emitido pela Casa Azul nesta quinta-feira (03/09), “detalhes relacionados ao assunto ainda não foram decididos”.
Por outro lado, o gabinete sul-coreano reforçou a sua posição de estar mantendo discussões com outras nações referente à forma como poderia contribuir para garantir a estabilidade na região do Oriente Médio, assim como solucionar os impasses na via navegável, bloqueada parcialmente pelo Irã em retaliação às agressões iniciadas pelos Estados Unidos e por Israel, em 28 de fevereiro.
Na noite de quinta-feira (manhã de sexta-feira na Coreia do Sul), a emissora JTBC noticiou que o governo “estaria se voltando” para o envio de tropas ao Estreito de Ormuz ao realizar preparativos para apresentar um pedido de aprovação parlamentar à Assembleia Nacional. A informação foi rapidamente reproduzida por outros veículos locais.
Horas depois, a emissora SBS apurou, citando um alto funcionário do Ministério da Defesa, que os militares estariam “fazendo preparativos concretos para deslocar forças navais ao Estreito de Ormuz”. Segundo o oficial, as opções de forças a serem enviadas incluem “aeronaves de patrulha marítima P-8 Poseidon, navios de apoio logístico da Marinha e unidades de desativação de explosivos (EODs)”.
É importante lembrar que, para a implantação desses dispositivos, faz-se necessária a aprovação do Conselho Nacional de Segurança Nacional, uma resolução do gabinete presidencial e o consentimento da Assembleia Nacional. A expectativa, conforme a mídia local, é que uma moção possa ser apresentada no Legislativo já neste mês.
Nas semanas anteriores, quando o presidente Trump anunciou ter ordenado o Pentágono a reduzir a cooperação militar com a Coreia do Sul, também expressou seu descontentamento com o país asiático ao criticar o seu homólogo sul-coreano, Lee Jae Myung, por ter recusado seu pedido para enviar recursos navais e ajudar a garantir o acesso à via navegável de Ormuz.
Após sete meses, a guerra contra o Irã promovida por Washington e Tel Aviv não dá sinais de trégua. Na mais recente violação norte-americana, nesta semana, o Exército atacou uma festa de casamento no sul iraniano, matando cinco civis, entre eles, uma criança. O saldo de mortes foi atualizado nesta quinta-feira pela estatal IRIB. O incidente provocou uma reação imediata por parte de Teerã e a Guarda Revolucionária Islâmica lançou ataques retaliatórios contra bases dos Estados Unidos instaladas em países do Oriente Médio.
Opera Mundi solicitou um posicionamento à chancelaria sul-coreana, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.