Terça-feira, 23 de junho de 2026
APOIE
Menu

Pela primeira vez desde 1957, a Índia não tem mais nenhum governo estadual liderado por comunistas.

A derrota da Frente Democrática de Esquerda (LDF), liderada pelo Partido Comunista da Índia (Marxista), em Kerala, após uma década no poder, marcou o fim de uma das experiências mais duradouras do mundo em comunismo democrático.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Siga!
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize!

De acordo com o historiador indiano, Vijay Prashad, as eleições têm se baseado cada vez mais em dinheiro e poder midiático. “Esses recursos não estão disponíveis para a esquerda, que tem achado difícil conduzir uma campanha com esses instrumentos”, observa a Opera Mundi.

“A esquerda teve que contar com a mobilização de massas, o que se tornou difícil dado também a repressão enfrentada pelos movimentos de massa na Índia. É claro que os Estados Unidos desempenham um papel, mas talvez não seja tão determinante quanto esses outros fatores”, explica.

Mais lidas

No entanto, Prashad relembra que desde 1957, os governos no estado geralmente oscilam entre a esquerda e a direita.

“Pela primeira vez, a esquerda conseguiu ser reeleita. Teria sido difícil conquistar um terceiro mandato. Assim, não era inesperado que a esquerda perdesse. Mas as instituições de esquerda permanecem intactas em Kerala, incluindo as cooperativas”, disse.

Campanha eleitoral estadual em Kerala do Partido Comunista da Índia (marxista)
Foto: @cpimcc / Instagram

Dessa forma, ele aponta que a ascensão de partidos regionalistas e populistas (como o Trinamool Congress de Mamata Banerjee) e de partidos nacionalistas hindus (como o BJP) não foi a causa que de fato prejudicou as fortunas eleitorais da esquerda, “mas sim que as mudanças no cenário social favoreceram esses partidos – já que eles contam com dinheiro e poder midiático – em detrimento da esquerda”.

“A esquerda não consegue alcançar uma população atomizada e precária com facilidade, pois isso exige a energia dos quadros militantes. Uma esquerda unida é certamente benéfica, mas a esquerda desunida não é a causa dos problemas, pode ser o sintoma”, afirma.

Outro fator é a perda de apoio entre camponeses e trabalhadores rurais – a tradicional base eleitoral comunista. Porém, “isso se deve em grande parte ao declínio dos sindicatos nas fábricas e no campo como consequência de novas formas de emprego precário”, diz Prashad , acrescentando que “os sindicatos são o reservatório da força da classe trabalhadora. À medida que eles declinam, a força da classe trabalhadora também diminui e, então, por consequência, a força da esquerda, já que é o instrumento da classe trabalhadora”.

Sendo assim, o historiador alega que reunir as pessoas nas circunstâncias do colapso da organização da classe trabalhadora “não será fácil” e é um desafio que a esquerda tem tentado superar.

“Veremos que tipos de estratégias surgirão após a revisão do desempenho eleitoral. Haverá uma revisão minuciosa a nível estadual e depois a nível nacional. A maior mudança que antecipo é uma renovação de energia entre os quadros militantes”, disse.