Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
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A Justiça sul-coreana sentenciou a ex-primeira-dama Kim Keon Hee a um ano e oito meses de prisão nesta quarta-feira (28/01) pelo crime de corrupção, mais especificamente no caso do recebimento de artigos de luxo por parte de figuras ligadas à Igreja da Unificação em troca de favores políticos. A decisão, porém, foi criticada pelo Partido Democrático da Coreia, sigla governista, por ser “branda”, uma vez que as outras duas acusações nas quais Kim também estava envolvida não foram reconhecidas pelo tribunal.

Os dois outros indiciamentos, considerados graves escândalos políticos ao longo do mandato do ex-presidente Yoon Suk Yeol – atualmente condenado em primeira decisão judicial a cinco anos de prisão por obstrução da Justiça e abuso de autoridade na decretação da lei marcial –, envolviam o esquema de manipulação de preço de ações da Deutsch Motors e a violação da lei de financiamento político. Entretanto, o Tribunal Distrital Central de Seul apenas reconheceu algumas das acusações dentro do crime de tráfico de influência relacionadas aos itens de luxo que Kim recebeu em 2022, conhecido popularmente como o “Caso Bolsa da Chanel”.

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De acordo com a Procuradora sul-coreana, em abril de 2022, o xamã Jeon Seong Bae havia entregado a Kim Keon Hee uma bolsa da grife Chanel no valor de 8 milhões de won (R$ 29 mil) em nome de Yun Young Ho, então chefe da Igreja da Unificação. Em julho daquele mesmo ano, a então primeira-dama recebeu outra bolsa da mesma marca no valor de 12 milhões de won (R$ 43 mil)) e, além disso, um colar de diamantes da Graff avaliado em 62 milhões de won (R$ 223 mil). O tribunal decidiu que apenas a bolsa e o colar recebidos em julho de 2022 constituíram receita criminosa.

Durante uma ligação telefônica registrada em 15 de julho de 2022, Kim teria garantido a Yun apoio do governo à Igreja da Unificação em troca dos artigos. Quanto a isso, os juízes avaliaram que a ex-primeira-dama estava ciente de que os projetos do instituto religioso dependiam de apoio político e que ela usou a sua posição para receber itens de valor. Mesmo assim, o tribunal determinou inocência no caso da bolsa da Chanel recebida em abril de 2022, argumentando que a conversa entre ambas se resumiu a “expressões habituais de gratidão”, e não a um pedido concreto de apoio político.

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Desta forma, os juízes ordenaram que Kim, que estava presa preventivamente desde agosto por risco de destruição de provas, pagasse uma multa de 12 milhões de won referente à bolsa recebida em julho de 2022, além de determinar o confisco do colar de diamantes.

Ex-primeira-dama da Coreia do Sul, Kim Keon Hee é condenada à prisão por 1 ano e 8 meses
Reprodução/Joint Press Corps

A absolvição no caso da manipulação de preço de ações, o tribunal argumentou que Kim não estava em posição de autora ativa, como exigido para que se pudesse formalizar uma condenação criminal. A acusação relacionada à lei de financiamento político também foi rejeitada, sob argumento de que não foi possível concluir que o consultor político Myung Tae Gyun, aliado do ex-presidente Yoon, teria sido garantido de uma vaga na Assembleia em troca da manipulação de pesquisas eleitorais à véspera das eleições presidenciais.

Em um julgamento separado no mesmo dia, o chefe da igreja Yun foi condenado a um ano e dois meses de prisão por entregar bens de valor a Kim e, também, ao deputado Kweon Seong Dong, do Partido do Poder Popular de extrema direita. Por sua vez, Kweon foi condenado a dois anos de prisão.

Trata-se da primeira vez na história do país que tanto um ex-presidente quanto sua cônjuge são condenados. Vale lembrar que em fevereiro, Yoon Suk Yeol também será julgado em acusações de tentativa de golpe de Estado e insurreição, que podem resultar em pena de morte.