Sábado, 7 de fevereiro de 2026
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O início de investigações de dois militares de alto escalão no último sábado (24/01) causou surpresa na mídia internacional, principalmente pelo fato de o principal investigado, ser não apenas o vice-presidente da Comissão Militar Central, cuja presidência é ocupada pelo presidente Xi Jinping, mas também membro do Birô Político do Comitê Central do PCCh (Partido Comunista da China). O outro militar sob investigação é Liu Zhenli, chefe do Departamento de Estado-Maior Conjunto da mesma comissão.

A decisão foi tomada pelo Comitê Central, o órgão máximo do partido (composto por 205 membros), portanto acima do Birô Político (de 24 membros).

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A mesma mídia hegemônica internacional aproveita o modo em que a China lida com suas questões internas para promover diferentes especulações como rumores sobre diferenças internas em relação a Taiwan até tentativa de golpe.

Mesmo que seja compreensível, em certa medida, a surpresa fora da China, o combate a corrupção não é um acontecimento excepcional. As investigações ocorrem em um processo de intensificação da campanha de combate à corrupção iniciada já em 2013, sob o primeiro ano de governo de Xi Jinping.

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Em 2012, após ser eleito secretário-geral do PCCh e meses antes de assumir como presidente, Xi colocou a corrupção no centro das preocupações do PCCh: “Nos últimos anos, alguns países têm vivenciado descontentamento público generalizado, agitação social e colapso de governos devido a contradições acumuladas ao longo de muitos anos, sendo a corrupção um fator contribuinte significativo. Numerosos fatos nos mostram que, se a corrupção continuar a aumentar, inevitavelmente levará à queda do Partido e do país! Devemos estar vigilantes!”, disse durante o 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China.

Mais de 7 milhões de processos em 12 anos

De 2013, quando foi iniciado o processo, até 2025, mais de 7 milhões de pessoas foram investigadas e processadas, segundo dados da Comissão Central de Inspeção Disciplinar e da Comissão Nacional de Supervisão.

Os dados dos últimos anos mostram a intensificação da campanha. Em 2023, os órgãos de inspeção disciplinar aplicaram punições a 610 mil pessoas. No ano seguinte, 2024, esse número foi de 889 mil pessoas punidas, segundo os relatórios oficiais das mesmas comissões. Em 2025, ao todo 983 mil pessoas receberam punições disciplinares, com 115 funcionários de nível provincial, ministerial ou superior tiveram investigações disciplinares.

No ano passado, as ações também chegaram ao alto escalão. Antes de Zhang Youxia, outro membro do politburo foi investigado: He Weidong, junto com Miao Hua, almirante e integrante da Comissão Militar Central, e outros 7 generais foram expulsos do Partido.

Zhang Youxia, principal investigado e vice-presidente da Comissão Militar Central da China
Пресс-служба Президента России/Wikicommons

O que disse o Exército de Libertação Popular

Provavelmente os detalhes das investigações nunca serão revelados. A informação do Wall Street Journal de que os generais teriam vazado informações secretas sobre programas de armas nucleares parece muito pouco provável.

Drew Thompson foi Diretor para China, Taiwan e Mongólia no Gabinete do Secretário de Defesa dos EUA de 2011 a 2018. Em 2012, ele organizou uma visita de uma delegação do Ministério de Defesa chinês, da qual o general Zhang Youxia fez parte. Em um recente podcast, Thompson afirmou que não acredita na veracidade da versão do vazamento dada pelo jornal estadunidense.

No dia do anúncio das investigações contra Zhang Youxia e Liu Zhenli, o jornal do Exército Popular de Libertação publicou editorial que, além dos aspectos de corrupção, destacou questões ideológicas. O texto afirmou que os dois militares “traíram gravemente a confiança e as expectativas do Comitê Central do Partido e da Comissão Militar Central” e “minaram severamente o sistema de responsabilidade do presidente da Comissão Militar Central”, prejudicando “a liderança absoluta do Partido sobre as Forças Armadas”.

O editorial determinou que “os membros e quadros do Partido, especialmente os quadros superiores, devem tomar como exemplos negativos os funcionários corruptos que foram investigados e punidos” e “salvaguardar conscientemente a linha de defesa ideológica, o limite mínimo do exercício do poder, a linha vermelha da lei e da disciplina e os limites do estilo familiar”.

O editorial também exigiu que os quadros militares devem “aderir à aspiração e à missão originais do Partido, liderar o fortalecimento da transformação ideológica, da formação política e da definição de estilo”. O texto ainda afirmou que as violações disciplinares “ameaçaram os fundamentos de governo do Partido” e “impactaram severamente a base política e ideológica para a unidade e o progresso entre todos os oficiais e soldados”.

Campanha anticorrupção será intensificada no próximo quinquênio

Um próximo plano quinquenal está prestes a ser aprovado, e a recente quinta sessão plenária da 20ª Comissão Central de Inspeção Disciplinar do Partido indica que a linha de “não ousar, poder ou querer ser corrupto”, se intensificará.

A quinta sessão plenária da 20ª Comissão Central de Inspeção Disciplinar (CCDI), realizada esta semana em Pequim, aprovou diretrizes para reforçar o combate à corrupção durante o 15º Plano Quinquenal (2026-2030).

A sessão determinou a intensificação do combate à corrupção em setores como finanças, empresas estatais, energia, produtos farmacêuticos e ensino superior, além de estabelecer “fiscalização rigorosa e punições severas para casos de conluio entre funcionários públicos e empresários”. O comunicado final enfatizou que a China deve adotar “medidas mais enérgicas e eficazes para erradicar os ambientes propícios à corrupção” à medida que avança no novo período de planejamento.