Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
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O Japão aprovou nesta sexta-feira (26/12) um orçamento recorde de Defesa, em meio ao agravamento das tensões do país com a China. O plano orçamentário de Tóquio para 2026 prevê um aumento de 9,4% em gastos militares, atingindo US$ 58 bilhões (mais de R$ 322 bilhões).

A elevação é prevista na meta do plano quinquenal japonês, que visa destinar 2% do PIB do país para as áreas de segurança e defesa. O novo orçamento prioriza o fortalecimento da capacidade de contra-ataque e das defesas costeiras, com a expansão de mísseis superfície-navio e arsenais não tripulados.

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Segundo o Ministério da Defesa japonês, o país pretende investir cerca de US$ 700 milhões (R$ 3,8 bilhões) na implantação de um sistema que inclui uma frota massiva de drones aéreos de superfície marítima e submarinos para vigilância e defesa do litoral. O sistema está previsto para entrar em operação em março de 2028.

A premiê japonesa Sanae Takaichi também não descarta submarinos movidos a energia nuclear e autoridades do seu gabinete já defenderam que o país deveria ter armas nucleares, informa o jornal japonês Yomiuri Shimbum.

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Conhecida como a ‘dama-de-ferro japonesa’, Takaichi declarou no mês passado que o Japão “provavelmente se envolveria militarmente” caso a China atacasse Taiwan como parte de seus planos de anexação da ilha.

Japão aprova orçamento militar recorde; China acusa país de ‘reviver militarismo’
Cabinet Secretariat/Wikicommons

Reação da China

A escalada verbal e o novo orçamento de guerra levantou a reação de Pequim. Nesta quinta-feira (25/12), o porta-voz do Ministério da Defesa Nacional chinês, Zhang Xiaogang, conclamou a comunidade internacional a se opor firmemente ao que descreveu como uma tentativa do país de “reviver o militarismo”.

“Convocamos todos os países e povos amantes da paz a agirem para conter firmemente o renascimento do militarismo pelas forças de direita do Japão e para evitar que o mundo seja mergulhado em turbulência e em uma repetição de tragédias históricas”, afirmou. Ao acrescentar que “a China tomará medidas resolutas e legais contra qualquer provocação”.

Ele destacou que, “nos últimos anos, o Japão acelerou sua expansão militar, com sinais cada vez mais evidentes de renascimento do militarismo”. E acusou Tóquio de distorcer o cenário regional: “para ocultar suas verdadeiras intenções, o Japão repetidamente exagerou a chamada ‘ameaça da China’”.

O porta-voz também destacou que a premiê japonesa fez “comentários equivocados sobre a questão de Taiwan”, enquanto as “forças de direita japonesas agora defendem abertamente o armamento nuclear, testando a linha de fundo da justiça internacional”.

“Essas medidas representam um desafio flagrante à ordem internacional do pós-Segunda Guerra Mundial e ao regime de não proliferação nuclear, além de representarem uma séria ameaça à paz e à estabilidade regionais e globais”, disse Zhang.

Gastos militares da China

Ele também rebateu os relatórios recentes do Ministério da Defesa do Japão, que alegam crescimento acelerado dos gastos militares chineses e aumento da atividade naval e aérea da China em áreas próximas ao arquipélago japonês.

“Os gastos com defesa da China são razoáveis e moderados, e permanecem abaixo da média global em relação ao PIB, e as atividades militares chinesas em águas relevantes estão totalmente alinhadas com o direito e a prática internacionais”, disse.

E acrescentou: “pedimos ao Japão que pare de espalhar narrativas falsas, cesse ações provocativas e se abstenha de implantações militares direcionadas”.