Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Pela primeira vez em 50 anos e devido à crescente tensão política com a China, o Japão ficará sem ursos panda, uma vez que Tóquio anunciou nesta segunda-feira (15/12) que antecipará a repatriação dos dois últimos animais presentes no país.

Os filhotes gêmeos Lei Lei e Xiao Xiao, nascidos no zoológico de Ueno, na capital japonesa, em 2021, serão levados à China até o fim de janeiro, antes do fim do contrato formal de empréstimo, em fevereiro.

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Os animais são uma popular atração turística no zoológico de Tóquio, sendo visitados por até 4.800 pessoas diariamente, mas sendo de propriedade exclusiva da China com base no acordo da “diplomacia dos pandas“, deverão ser enviados a Pequim.

Segundo o jornal Japan Times, houve tentativa de negociação entre Tóquio e Pequim para a prorrogação da estadia dos pandas ou para empréstimos de outros animais, mas o contrato foi encurtado “em cerca de um mês para se adequar ao cronograma de quando o centro de acolhimento na China poderia receber os ursos”.

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Também não há perspectiva do envio de novos animais ao Japão. Até a repatriação dos animais, em 25 de janeiro, o zoológico de Ueno espera receber mais 180 mil visitantes.

Assim, se juntarão aos pais, Ri Ri e Shin Shin, que foram devolvidos pelo Japão à China em setembro de 2024, e a sua outra irmã Xiang Xiang, que retornou em 2023. Outros quatro pandas que nasceram e foram criados no Adventure World, na província de Wakayama, também foram devoldidos à Pequim em junho passado, com o fim dos contratos.

Anúncio sobre Lei Lei e Xiao Xiao gerou descontentamento público, levantando questões sobre relações bilaterais entre Japão e China
江戸村のとくぞう/Wikicommons

Segundo o Secretário-Chefe do Gabinete do governo japonês, Minoru Kihara, Tóquio “espera ver intercâmbios contínuos por meio dos pandas” e admitiu que os animais “há muito contribuem para melhorar a opinião pública tanto no Japão quanto na China”.

Por outro lado, Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, foi questionado em coletiva de imprensa sobre planos de Pequim em continuar sua cooperação com o Japão em relação aos pandas, mas evitou responder a pergunta e disse que “as autoridades competentes” devem ser consultadas.

Pandas símbolo de diplomacia

O anúncio, confirmado pelo governo japonês, gerou descontentamento público, levantando novas questões sobre a evolução das relações bilaterais entre os dois países.

Os pandas, nativos da China, há décadas têm sido usados como elementos para selar as boas relações diplomáticas de Pequim pelo mundo, ao mesmo tempo que se aumentam as chances de procriação da espécie.

No entanto, em 1984, o governo chinês mudou as regras da “diplomacia dos pandas”, que deixaram de ser um “presente” para ser um “empréstimo”, o qual prevê uma taxa anual e um contrato com prazo determinado, incluindo a posse de filhotes nascidos no exterior.

Esse é o caso de Lei Lei e Xiao Xiao, descendentes do primeiro casal de pandas doados pela China ao Japão em 1972, antes da nova norma. A medida foi uma maneira de celebrar a normalização das relações bilaterais entre seus governos, que voltaram a ficar abaladas nas últimas semanas devido às declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan.

Em novembro passado, Takaichi, afirmou que Tóquio “não reconhece o estatuto jurídico de Taiwan”, referindo-se ao reconhecimento da ilha como território chinês. Em resposta, Pequim alertou que Tóquio “reflita sobre seus erros e corrija-os”, além de retratar-se sobre as “declarações equivocadas” de Takaichi, alertando que suas falas receberam críticas “dentro e fora” do Japão.

(*) Com Ansa e informações de Agência Kyodo