Quarta-feira, 13 de maio de 2026
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Cerca de 50 mil pessoas participaram neste domingo (03/05) de um ato político em Tóquio pelo Dia da Memória Constitucional, que também serviu para manifestar o protesto da população às reformas constitucionais que a primeira-ministra Sanae Takaichi tenta promover no país.

Ao ser um feriado nacional, o evento se reproduziu em dezenas de outras cidades, onde também houve manifestações contra a reforma impulsionada pelo governo.

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Meios locais estimam que mais de 100 mil pessoas participaram dos atos, somando as mobilizações em todas as cidades do país.

A principal crítica dos movimentos que organizaram o ato é a tentativa de derrubar o Artigo 9 da Constituição japonesa (promulgada em 1947), também conhecido como “cláusula pacifista”. O mecanismo proíbe o Japão de ameaçar ou usar a força militar para resolver disputas internacionais.

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Segundo o Yomiuri Shimbun, o governista Partido Liberal Democrático (PLD) e outros setores conservadores ligados a Takaichi defendem o fim do Artigo 9 há décadas, com o argumento de que ele supostamente restringe a capacidade do Japão de responder ameaças da China e da Coreia do Norte, ao proibir ações das forças militares do país em favor de aliados.

A premiê tem dado prioridade a essa mudança constitucional, com o argumento de que a “cláusula pacifista” impede o país de ajudar Taiwan, que Tóquio considera ser um “aliado estratégico diante da ameaça chinesa”.

‘Cachorrinho dos EUA’

Por sua parte, os defensores do artigo alegam que o Japão regularizou leis, nos Anos 2010 que permitem ao Japão exercer a autodefesa coletiva, ou seja, socorra um aliado sob ataque, desde que em um contexto de ameaça real ao território japonês.

A ativista Hiroko Maekawa, vereadora da cidade de Tóquio, foi uma das que discursou no evento, e disse que “sob o governo de Takaichi, o Japão está seguindo os Estados Unidos como um cachorrinho segue seu dono”.

Cartaz exibido em Tóquio contra política da premiê Takaichi
X / @writerofscratch

“O PLD quer transformar as forças de autodefesa em um exército tradicional, porque sabe que a Constituição, como está, os impede de fazer isso”, acrescentou.

Outra vereadora de Tóquio, Megumi Koike, afirmou que a Constituição do Japão é “um tesouro nacional e um tesouro para o mundo”, e ressaltou a “cláusula pacifista como principal elemento da sua excepcionalidade.

“Takaichi acha que a maioria dos japoneses quer mudar a Constituição porque acredita que existe uma ameaça da China e da Coreia do Norte, mas isso simplesmente não é verdade. Nossa prioridade deve ser a de investir em saúde, educação e empregos, não em mais armas”, complementou Koike.