Diante da escalada militar no Oriente Médio e, como consequência, a instabilidade internacional, o líder norte-coreano Kim Jong Un sustentou que os “atos de terrorismo e agressão” cometidos pelos Estados Unidos em âmbito global é a prova mais clara da sabedoria da nação em não ceder às “forças hostis” e abandonar seu projeto nuclear. A posição se deu em seu extenso discurso na 15ª Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte, conforme a agência de notícias estatal KCNA nesta terça-feira (24/03).
“A República Popular Democrática da Coreia continuará consolidando seu status absoluto como potência nuclear”, declarou a autoridade. “A posição de defender a soberania e as instituições do Estado contra ameaças de forças hostis, assim como a de usar todos os meios disponíveis para salvaguardar o direito ao desenvolvimento, segurança e sobrevivência, permanece absolutamente inalterada”.
Para Kim, um Estado próspero se baseia no conceito da “autossuficiência”. Ele lembrou que, na assembleia anterior, a Coreia do Norte fixou a política nuclear na Constituição, priorizando desde então o fortalecimento bélico para “dissuadir efetivamente a guerra e garantir o equilíbrio de poder na região”.
“A realidade mundial de hoje, na qual a dignidade e os direitos dos Estados soberanos são pisoteados pelo poder unilateral e pela tirania, nos ensina claramente qual é a verdadeira garantia da existência nacional e da paz”, afirmou Kim. “Acertamos em termos tido discernimento da natureza imutável e da falta de escrúpulos das forças imperialistas e dominantes cuja constituição é a busca pela hegemonia. A falta de escrúpulos evoluirá mais intensamente, e temos a capacidade prática de prever as ameaças à segurança”.
O líder norte-coreano garantiu que, apesar das investidas dos Estados Unidos e de seus aliados na desestabilização regional, “o grau de segurança do nosso país é mantido em um nível mais alto do que em outras partes do planeta”.
“Declaro que nosso país não está mais ameaçado, e temos o poder de ameaçar se necessário”, disse, acrescentando que o “escudo nuclear” desenvolvido no país não contempla apenas o objetivo de otimizar as esferas militar e de defesa nacionais, mas também visam proporcionar melhores condições de vida da população, incluindo no desenvolvimento econômico e cultural.

Kim Jong Un voltou a designar a Coreia do Sul como “o Estado mais hostil”. “Reconhecemos publicamente que a Coreia do Sul é o Estado mais hostil. Continuaremos rejeitando e descartando completamente o Sul por meio de palavras e ações claras”, disse o líder norte-coreano, alertando que Pyongyang responderá a quaisquer provocações vindas de Seul de forma “impiedosa”.
É a segunda vez que Kim usa o termo “Estado hostil” para definir a Coreia do Sul. A primeira foi citado no final de 2023, durante o mandato do ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol – conservador e autodeclarado anti-Coreia do Norte –, período em que as relações intercoreanas foram intensamente desgastadas. Na ocasião, Kim classificou as duas Coreias como “dois Estados hostis um ao outro”.
Por outro lado, a autoridade norte-coreana garantiu que seu governo seguirá, nos anos seguintes, fortalecendo as relações diplomáticas com os países com quem sempre manteve boas relações do ponto de vista desenvolvimentista.
Ao longo da 15ª Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte, Kim Jong Un realizou um balanço dos últimos cinco anos, durante os quais destacou que a nação superou diversas dificuldades – principalmente decorrentes das sanções ocidentais. O líder mencionou a modernização industrial como papel fundamental no desenvolvimento econômico. Ressaltou ainda a necessidade de fortalecer os setores de metal, química, energia elétrica e carvão, sendo estes os principais pilares da economia nacional.
Kim também apontou para o projeto de habitação, prevendo a construção de casas mais modernas e novas ruas em diversas áreas, incluindo o distrito de Hwaseong de Pyongyang, sem descartar o desenvolvimento urbano em cidades fora da capital, áreas rurais e vilarejos mineradores.
Segundo o líder norte-coreano, esses esforços devem ser impulsionados por meio de métodos científicos e tecnológicos, uma vez que eles poderão facilitar o crescimento da produção e garantir o bem-estar do povo. A inteligência artificial também se inclui na agenda política.
“O futuro do país será fortemente influenciado pela ciência e tecnologia avançadas”, afirmou. “Devemos dedicar esforços nacionais ao desenvolvimento de ciência e tecnologia com competitividade global, incluindo tecnologia de inteligência artificial e tecnologia espacial”.