Sexta-feira, 6 de março de 2026
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Com a frequência cada vez maior de aparições públicas de Kim Ju Ae, filha do presidente norte-coreano Kim Jong Un, em eventos oficiais, a imprensa global especula sobre uma possível sucessão da jovem para a liderança do país. Se este for o caso, ela representaria a quarta geração da família Kim – após as passagens de Kim Il Sung, Kim Jong Il e Kim Jong Un – a governar a Coreia do Norte, desde a sua fundação em 1948. 

O 9º Congresso do Partido dos Trabalhadores (PTC), um importante evento quinquenal em Pyongyang, foi encerrado na quarta-feira (25/02) após sete dias de encontros durante os quais se estabeleceram novas metas políticas sobre diplomacia, defesa e economia, entre outras áreas, para os próximos cinco anos.

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A reunião de alto nível também incluiu o anúncio da reeleição de Kim Jong Un como secretário-geral do PTC, além de uma histórica reformulação governamental que tem o potencial, inclusive, de recalibrar a política diplomática norte-coreana em meio à instabilidade global. A sigla elegeu 139 membros e 111 membros suplentes de seu comitê central. Para o Ministério da Unificação da Coreia do Sul, em comunicado nesta sexta-feira (27/02), a reorganização foi uma tentativa de “fortalecer o controle do partido sobre a sociedade”.

Contudo, o que chamou a atenção foi a presença de Kim Ju Ae no desfile militar que marcou o fechamento do congresso, na quarta-feira. Bastou a agência estatal KCNA divulgar registros de filha e pai sorrindo lado a lado, apontando para as apresentações na Praça Kim Il Sung, ambos combinando um par de jaquetas de couro pretas, que a mídia internacional voltou a posicionar a adolescente no centro das discussões referentes à governança de Pyongyang. 

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Filha Kim Ju Ae e pai Kim Jong Un acompanham desfile militar no encerramento do 9º Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte
Reprodução/KCNA

Apesar da publicação de imagens, o veículo norte-coreano não mencionou, em momento algum, a participação da jovem na cerimônia. A KCNA apenas disse que o evento contou com “importantes altos dirigentes do partido e delegados”, em um desfile com “batalhões de 50 infantes e de voo, incluindo o Batalhão Honorário de Cavalaria e outras filiais e unidades especializadas das Forças Armadas da República”.

A primeira aparição pública de Ju Ae foi em novembro de 2022, quando a garota acompanhou seu pai em um teste de míssil de longo alcance. Posteriormente, ela foi aparecendo em diversos eventos, incluindo testes de armas, desfiles militares e inaugurações de fábricas. No ano passado, a filha de Kim foi registrada em uma visita familiar a um resort costeiro. Em setembro passado, viajou com seu pai para Pequim, no âmbito da cúpula com o líder chinês, Xi Jinping.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, suas participações cada vez notáveis geraram expectativas de que Kim Jong Un estaria possivelmente se preparando para “adicionar peso político ao seu papel”. O veículo, por outro lado, apontou que, nas últimas semanas, alguns avaliaram que uma suposta “política de gênero imutável” da Coreia do Norte “pode bloquear o caminho de Kim Ju Ae ao poder”.

Para Mitch Shin, há uma possível barreira para uma sucessão de Kim Ju Ae que é o patriarcado. Segundo o correspondente da Coreia do Sul para a revista norte-americana The Diplomat, o preconceito de homens mais velhos, muitos na faixa dos 60 e 70 anos, de jurar lealdade absoluta e de vida ou morte a uma jovem é “mais do que uma mudança cultural. É uma anomalia estrutural que ameaça a lógica interna do governo”

Os trajes combinados entre Ju Ae e Jong Un também foram detalhes chamativos. À emissora norte-americana NBC, o professor Lim Eul Chul, do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam, descartou que as vestimentas similares tenham sido uma mera coincidência. “Quando sua filha pequena está usando a mesma roupa simbólica, é difícil ver isso como uma coincidência”, afirmou o docente. “É mais provável que seja uma jogada deliberada para dizer ao público norte-coreano que Kim Ju Ae é herdeira do pai dela”.

Por fim, concluído o maior evento político norte-coreano, a KCNA informou que os membros da liderança central do Partido dos Trabalhadores “endureceram solenemente sua firme vontade de cumprir seu pesado dever na jornada responsável por executar brilhantemente o programa de combate do partido”.

Em um despacho separado, a agência estatal disse que Kim, durante a sessão fotográfica na cerimônia de encerramento, expressou “crença e convicção de que todos os participantes desempenharão um papel de vanguarda na luta sagrada pela prosperidade nacional e pelo bem-estar do povo para cumprir as importantes tarefas orientadas para políticas estabelecidas pelo congresso do partido”.