Segunda-feira, 6 de abril de 2026
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O Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCCh) e o secretário-geral Xi Jinping convidaram a presidenta do partido opositor taiwanês Kuomintang (KMT), Zheng Liwen, para liderar uma delegação em visita à China continental entre os dias 7 e 12 de abril, passando pela província de Jiangsu, Xangai e Pequim. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (30/03) por Song Tao, diretor do Escritório de Assuntos de Taiwan do Comitê Central do PCCh, segundo a Agência de Notícias Xinhua. Será a primeira vez em quase dez anos que uma presidenta titular do KMT se reúne com um presidente da China.

“Desde que assumiu o cargo, a presidenta Zheng Liwen expressou repetidamente seu desejo de visitar a China continental”, disse Song Tao. “Para promover o desenvolvimento pacífico das relações entre o KMT e o PCCh, bem como as relações entre os dois lados do Estreito, estou autorizado a anunciar este convite”.

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A última visita

A visita de Zheng será a de maior nível desde 1º de novembro de 2016, quando a então presidenta do partido, Hung Hsiu-chu, foi recebida por Xi Jinping no Grande Salão do Povo, em Pequim. A visita de 2016 ocorreu pouco depois da volta do Partido Democrático Progressista (PDP) ao governo de Taiwan, onde também obteve a maioria legislativa, após derrotar o KMT nas eleições de janeiro.

Naquele encontro, conforme reportado pelo China Daily, Xi apresentou uma proposta de seis pontos para as relações entre os dois lados do Estreito, incluindo a adesão ao Consenso de 1992, a oposição às forças que defendem a independência de Taiwan e a promoção da cooperação econômica e cultural entre os dois lados do Estreito de Taiwan.

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Durante o período desde a última visita, delegações do KMT continuaram visitando a China continental. Em agosto de 2022, o vice-presidente do KMT, Andrew Hsia, liderou uma delegação por 17 dias, descrita pelo partido como uma missão para reforçar a comunicação entre as duas margens. Em abril de 2024, o coordenador da bancada legislativa do KMT, Fu Kun-chi, chefiou um grupo de 17 legisladores em visita de três dias à China, que resultou no anúncio de medidas chinesas de abertura comercial a produtos agrícolas e pesqueiros taiwaneses.

O Consenso de 1992

O Consenso de 1992 é o acordo político firmado em novembro daquele ano entre representantes dos dois lados do Estreito, que estabelece o reconhecimento de que existe uma única China, ainda que cada lado mantenha interpretações próprias sobre o que isso significa na prática. Esse consenso constitui a base das relações institucionais entre o PCCh e o KMT, e é formalmente rejeitado pelo PDP.

Enquanto o KMT aceita o consenso como fundamento do diálogo e se opõe formalmente à independência de Taiwan, o PDP, sob a liderança de Lai Ching-te, eleito em 2024, adota uma postura de afirmação de uma identidade taiwanesa distinta e recusa o consenso como ponto de partida para o diálogo.