Terça-feira, 3 de março de 2026
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O partido da primeira-ministra ultraconservadora Sanae Takaichi, defensora de uma linha dura sobre imigração, terá maioria esmagadora na Câmara Baixa do Parlamento após as eleições legislativas deste domingo (08/02), segundo as primeiras estimativas da mídia japonesa.

Surfando em um estado de graça menos de quatro meses após sua chegada ao poder, sendo a primeira mulher a governar o Japão, o Partido Liberal-Democrata (PLD) e seu aliado, o Partido da Inovação (Ishin), alcançariam até mesmo a maioria de dois terços na assembleia, de acordo com a emissora pública NHK.

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A confirmação das projeções representa o melhor resultado do PLD desde 2017, quando o partido era liderado por Shinzo Abe, mentor político de Takaichi, e que foi assassinado em 2022.

O partido estaria em condições de conquistar sozinho mais de 300 dos 465 assentos da Câmara Baixa, contra 198 até então, e recuperar a maioria absoluta perdida em 2024.

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Os resultados oficiais só devem ser divulgados na segunda-feira (09/02), ao longo do dia.

Derrota anunciada da oposição

A nova Aliança Reformista Centrista, que reúne o principal partido de oposição, o Partido Democrata Constitucional (CDP), e o antigo parceiro do PLD, o Komeito, pode perder mais de dois terços de seus assentos atuais.

Já o partido anti-imigração Sanseito pode conquistar entre 5 e 14 cadeiras, contra duas atualmente, segundo a NHK.

“Recebemos o apoio dos eleitores às políticas orçamentárias responsáveis e proativas da primeira-ministra Sanae Takaichi, assim como ao fortalecimento das capacidades de defesa nacional”, declarou o secretário-geral do PLD, Shunichi Suzuki, após a divulgação dos primeiros números.

Takaichi prometeu neste domingo conduzir uma política fiscal “responsável” e “construir uma economia forte e resiliente”, num momento em que suas primeiras medidas deixaram os mercados nervosos e fizeram disparar os rendimentos da dívida japonesa.

A líder anunciou, entre outras medidas, um plano de estímulo equivalente a mais de € 110 bilhões e prometeu isentar alimentos da taxa de consumo de 8% para aliviar o impacto da alta do custo de vida sobre as famílias.

Takaichi prometeu domingo conduzir política fiscal “responsável” e “construir economia forte e resiliente”
@takaichi_sanae

A inflação é uma das principais preocupações, já que a alta de preços permanece acima de 2% há quase três anos.

Takaichi também causou turbulência há uma semana ao elogiar os benefícios de um iene fraco, mesmo enquanto seu ministro das Finanças reiterava que Tóquio interviria para sustentar a moeda.

Aos 64 anos, a primeira-ministra deu novo fôlego ao PLD, no poder quase ininterruptamente há décadas, mas que havia perdido apoio popular.

Tensões com Pequim

Grande admiradora de Margaret Thatcher, Takaichi se comprometeu a “apertar o botão do crescimento”. Sobre imigração, afirmou que os critérios “já se tornaram um pouco mais rígidos, para que terroristas e também espiões industriais não possam entrar facilmente”.

Em 19 de janeiro, a primeira-ministra anunciou a dissolução da Câmara Baixa, desencadeando uma campanha relâmpago histórica de 16 dias.

Muito popular entre os jovens, Takaichi tornou-se até um fenômeno nas redes sociais.

O pleito também era observado de perto em Pequim, já que as tensões sino-japonesas aumentaram desde que Takaichi sugeriu, em novembro passado, que Tóquio poderia intervir militarmente em caso de ataque contra Taiwan, cuja soberania é reivindicada pela China.

O fato de Takaichi ter se recusado a retirar suas declarações “contribuiu para aumentar sua popularidade”, afirmou à AFP Margarita Estévez-Abe, professora de ciência política na Universidade de Syracuse.

Mas, como a primeira-ministra não enfrentará novas eleições até 2028, “o melhor cenário para o Japão seria que ela respirasse fundo e se concentrasse em melhorar a relação com a China”.