Domingo, 6 de setembro de 2026
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As operações de resgate avançam lentamente neste domingo (30/08) no Nepal e na China, em meio a condições perigosas. Equipes tentam localizar sobreviventes quatro dias após as inundações devastadoras que deixaram cerca de 760 mortos. Mais de 3 mil pessoas continuam desaparecidas, e as esperanças de encontrar sobreviventes sob a lama e os escombros diminuem.

Em uma área profundamente devastada pela enorme enxurrada provocada pelo colapso de uma geleira do Himalaia, as equipes de resgate são obrigadas a trabalhar sob a ameaça constante de novos desastres naturais.

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Neste domingo (30/08), as autoridades nepalesas voltaram a pedir cautela devido a uma nova elevação do nível das águas do rio Bhotekoshi, que transbordou na quarta-feira (26/08) após a avalanche de rocha e gelo.

No entanto, com o uso de perfuradoras e escavadeiras, as equipes de resgate conseguiram chegar neste domingo à entrada de um túnel no canteiro de obras da hidrelétrica Trishuli-3, onde as autoridades acreditam que cerca de 100 trabalhadores estejam presos desde o desastre.

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“Quatro rotas de acesso foram abertas. Preparativos estão em andamento para entrar diretamente no túnel e realizar operações de busca e resgate”, informou o Ministério da Energia.

As equipes de resgate, compostas por cerca de 80 nepaleses e agora auxiliadas por especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul, estão no local desde sexta-feira (28/08), mas foram forçadas a suspender as operações no sábado (29/08) devido à chuva e à elevação do nível da água.

Operações de resgate avançam lentamente, e sobe para 760 número de mortos por enchentes no Nepal e China
Xinhua/Jiang Fan

3 mil desaparecidos

Do lado chinês, socorristas que atuavam no Tibete foram transferidos para um local seguro após um deslizamento de terra criar uma nova represa natural, informou a imprensa estatal.

Segundo dados oficiais, ainda considerados muito provisórios neste domingo, um total de 768 corpos, sendo 752 no lado nepalês e 16 no lado tibetano, foi recuperado desde quarta-feira da espessa camada de lama e dos destroços de edifícios, estradas, pontes e canteiros de obras arrastados pela enxurrada.

Apesar das centenas de pessoas já resgatadas, as autoridades dos dois países continuam sem notícias de mais de 3 mil desaparecidos, sendo 2.502 no Nepal e 546 na China.

“As pessoas estão desesperadas para encontrar familiares, vivos ou mortos, mas simplesmente não conseguimos. Olhe para toda essa lama”, disse à AFP Kawan Koirala, socorrista da defesa civil do Nepal.

Ao longo deste domingo (30/08), familiares dos desaparecidos continuaram a se aglomerar na sede das operações de resgate, na cidade de Bidur, e em hospitais de Katmandu, em busca de qualquer informação.

Quatro dias após o desastre, as autoridades nepalesas autorizaram, no domingo, o sepultamento das primeiras vítimas, após a coleta de amostras de DNA para permitir que as famílias identifiquem, realizem a cremação e, posteriormente, exumem os corpos, em conformidade com a tradição hindu.

“Muitos corpos foram recuperados e já começaram a se decompor”, explicou à imprensa Amrit Bahadur Rai, secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores. “Por razões de saúde pública, fomos obrigados a sepultá-los.”

Solidariedade internacional para reconstrução

Embora ainda seja cedo para uma avaliação precisa, o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, estima o custo da reconstrução em “vários bilhões de dólares” e faz um apelo à solidariedade internacional.

Seguindo o exemplo da União Europeia e de outros países, os Estados Unidos anunciaram no sábado a liberação de US$ 3,6 milhões em ajuda humanitária para o Nepal.

Especialistas e cientistas atribuem o desastre ao colapso de uma enorme geleira, que transformou instantaneamente um rio antes tranquilo em uma torrente devastadora.

“O aquecimento global torna tragédias como esta, e tantas outras ao redor do mundo, muito mais prováveis, frequentes e severas”, alertou Simon Stiell, chefe da divisão de Mudanças Climáticas da ONU.

“O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa e, ainda assim, está entre as principais vítimas das mudanças climáticas”, enfatizou o ministro Shisir Khanal. “Esta luta deve ser de todos.”

*Com AFP

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