Pelo 4º ano seguido, população da China cai e taxa de natalidade registra mínimo histórico
Pesquisa nacional registrou 7,92 milhões de nascimentos em 2025, uma queda de 17% em relação ao ano anterior; taxa de mortalidade subiu para 8,04 por mil habitantes
A China registrou seu quarto ano consecutivo de declínio populacional em 2025, com a taxa de natalidade atingindo também um novo recorde negativo. Dados oficiais divulgados pelo Escritório Nacional de Estatística (NBS) nesta segunda-feira (19/01) revelam que, apesar das políticas voltadas para incentivar a população a ter filhos, a crise demográfica tem se aprofundado no país.
Segundo o relatório, em 2025, o número de nascimentos caiu para 7,92 milhões na China, uma queda vertiginosa de 17% em relação aos 9,54 milhões de 2024 – número mais baixo desde o início dos registros, em 1949. Por sua vez, a taxa de natalidade caiu para 5,63 nascimentos por mil habitantes. Paralelamente, as mortes aumentaram para 11,31 milhões, elevando a taxa de mortalidade para 8,04 por mil, o nível mais alto desde 1968. O resultado líquido foi uma redução de 3,39 milhões na população total, que agora está em 1,405 bilhão.
A demógrafa Yi Fuxian, da Universidade de Wisconsin-Madison, afirmou que os nascimentos em 2025 foram “aproximadamente do mesmo nível de 1738, quando a população da China era de apenas cerca de 150 milhões”.
O colapso nos nascimentos persiste apesar de um pacote crescente de medidas que visam aumentar a taxa de natalidade. No ano passado, o governo chinês destinou 90 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 65,8 bilhões) para seu primeiro programa nacional de subsídio a creches e anunciou planos para cobrir todas as despesas de parto pelo sistema de saúde público.
No entanto, os jovens têm considerado os custos de vida altos. Na China, criar uma criança até os 18 anos pode valer, em média, 538 mil yuans (cerca de R$ 393 mil), o que equivale a mais de 6,3 vezes o PIB per capita do país, segundo um think tank de pesquisa local.

A China registrou seu quarto ano consecutivo de declínio populacional em 2025
Wikimedia Commons/CEphoto, Uwe Aranas
De acordo com o jornal britânico The Guardian, a política do filho único também foi uma das razões da redução drástica do número de mulheres em idade reprodutiva. Segundo projeções da ONU, este grupo pode encolher mais de dois terços até o final do século. Por outro lado, os maiores de 60 anos já representam 23% da população. Até 2035, serão 400 milhões – um contingente equivalente às populações dos Estados Unidos e da Itália somadas. O envelhecimento tem pressionado o sistema previdenciário e o mercado de trabalho, forçando o governo a elevar a idade de aposentadoria: a China já aumentou a faixa, com os homens agora esperando que trabalhem até os 63 em vez dos 60, e as mulheres até os 58 em vez de 55.
Segundo o veículo, em 2025, a China também removeu os preservativos da lista de itens isentos de IVA, o que significa que eles receberão uma alíquota de imposto de 13%, levantando preocupações de que o governo esteja tentando dificultar a prevenção da gravidez, embora contraceptivos gratuitos ainda sigam disponíveis por meio de programas financiados pelo governo.




















