Pequim manifesta ‘firme oposição’ à medida dos EUA que restringe negócios da Venezuela com China
Governo chinês reiterou ‘direitos legítimos’ na cooperação sino-venezuelana e também exigiu retirada imediata das sanções unilaterais ilegais impostas contra Caracas
O governo chinês manifestou, nesta quarta-feira (01/04), firme oposição às novas licenças gerais emitidas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que buscam restringir a participação da China, Rússia, Coreia do Norte, Cuba e Irã nas operações do setor mineral venezuelano.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, fez a declaração em coletiva de imprensa em Pequim, em resposta a questionamentos sobre as medidas publicadas na véspera, 31 de março, pelo Ofac.
“A China se opõe firmemente ao fato de os EUA usarem as chamadas ‘licenças gerais’ para impor restrições à cooperação sino-venezuelana. Os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela devem ser protegidos”, afirmou Mao.
A porta-voz exigiu ainda o levantamento imediato das sanções unilaterais ilegais contra a Venezuela. Para ela, as chamadas licenças gerais são um instrumento para dar verniz de legitimidade a ações que, na prática, continuam violando os direitos e interesses legítimos da Venezuela e de outros países envolvidos.
As novas licenças gerais abrem caminho para que empresas estadunidenses operem no setor mineral venezuelano, incluindo a extração e comercialização de ouro, além de atividades nos setores de petróleo, gás e petroquímica. As autorizações estabelecem que contratos com entidades venezuelanas devem ser regidos pela legislação estadunidense, que pagamentos a pessoas ou entidades bloqueadas sejam direcionados a um fundo supervisionado pelos EUA, e impõem obrigações periódicas de relatórios ao Departamento do Tesouro.
Insolitamente, as licenças impõem restrições unilaterais à participação de empresas da China, da Rússia, do Irã, da Coreia do Norte e de Cuba nas operações que Washington busca controlar no setor energético e mineral venezuelano. Ofac afirma que o objetivo seria garantir que as transações ocorram por “canais legítimos e autorizados”, em linha com os “esforços para restaurar a prosperidade e a segurança da Venezuela”.
A medida atinge diretamente interesses estratégicos chineses na Venezuela. A China é um dos principais parceiros comerciais do país, com intercâmbio bilateral que superou US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões, aproximadamente) nos dez primeiros meses de 2025, segundo a Administração Geral das Alfândegas da China.

O governo chinês manifestou firme oposição às novas licenças gerais emitidas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos
X/@SpoxCHN_MaoNing
Empresas chinesas, como a estatal CNPC, operam joint ventures com a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), e Pequim tem décadas de empréstimos e investimentos em infraestrutura no país sul-americano.
A medida está em linha com a Estratégia Nacional de Segurança lançada pelo governo Trump em dezembro de 2025, que coloca a China no centro de suas preocupações geopolíticas e defende explicitamente a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência estadunidense no Hemisfério Ocidental. O documento afirmava que “competidores não hemisféricos” fizeram grandes incursões na América Latina, numa referência velada a Pequim.
Após a invasão militar estadunidense na Venezuela no início deste ano, com bombardeios, mais de cem mortos e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e Cília Flores, Washington cumpre à força o que anunciou na estratégia: tomar o controle dos recursos, neste caso, venezuelanos para empresas estadunidenses e expulsar os países que classifica como adversários.























