Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O presidente sul-coreano Lee Jae Myung instruiu o seu governo a revisar a possibilidade de estender o seguro público de saúde para cobrir o tratamento da calvície, ao considerar que o fenômeno se tornou uma “questão de sobrevivência” entre a geração mais nova do país, não se tratando apenas de uma preocupação estética. O tema foi levantado na terça-feira (16/12), durante o balanço político transmitido à imprensa.

Atualmente, a Coreia do Sul opera um sistema universal de seguro de saúde, financiado por contribuições calculadas com base na renda. O plano cobre tratamentos para queda de cabelo apenas quando esta é causada por condições médicas específicas, como a alopecia areata. A maioria dos tratamentos para a calvície de padrão comum, incluindo as de origem hereditária, permanece excluída da cobertura pública.

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Para o mandatário, a limitação do sistema pode gerar uma sensação de “injustiça” entre os jovens contribuintes, já que poucos acreditam serem, de fato, beneficiários dos serviços públicos.

“Não será que é apenas uma questão de definir, ou não, a condição hereditária como uma doença?”, perguntou Lee à ministra da Saúde, Jeong Eun Kyeong, que expressou cautela quanto à proposta. “Antes, os serviços médicos para calvície eram vistos como para fins cosméticos, mas hoje em dia, são uma questão de sobrevivência”.

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Vale destacar que o sistema nacional de seguro saúde tem enfrentado uma pressão financeira crescente. Segundo a imprensa local, projeções internas sugerem que o dispositivo sul-coreano pode enfrentar déficits de até 4,1 trilhões de won (R$ 15,5 bilhões) em 2026.

A medida de Lee foi prontamente criticada pela Associação Médica Coreana, que afirmou que “em vez de investir os recursos do seguro de saúde em cobertura de tratamento da queda de cabelo, priorizar a cobertura para câncer e outras doenças graves estaria melhor alinhado com os princípios do seguro de saúde”.

Presidente sul-coreano Lee Jae Myung defende que sistema de seguro nacional de saúde cubra tratamentos voltados à queda de cabelo
Reprodução/Instituto de Pesquisa em Queda de Cabelo Chaeum

Calvície é um problema na Coreia do Sul?

A proposta de Lee também escancara a extrema preocupação da Coreia do Sul com os padrões de beleza. O peso por uma suposta aparência física ideal recai, em particular, para as mulheres, que enfrentam expectativas rígidas sobre padrões de rosto, maquiagem, cuidados com a pele e formato corporal.

Este fenômeno é, por sua vez, muito influenciado pela indústria cultural sul-coreana, que vende padrões denotados em, por exemplo, artistas de k-pop, atores de k-dramas, fatores que aumentam a procura por cirurgias plásticas e cosméticos.

Embora menos comum, a pressão estética sul-coreana também atinge os homens e, nesse sentido, a calvície se torna um estigma. De acordo com o balanço médico, de 240 mil pessoas no país que visitaram hospitais por problemas de queda de cabelo em 2024, 40% estavam na casa dos 20 ou 30 anos. Enquanto isso, a procura por produtos de tratamento disparou. Especialistas do setor estimam que, de uma população de mais de 51 milhões na Coreia do Sul, cerca de 10 milhões sofrem da queda de cabelo.