Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
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O presidente sul-coreano Lee Jae Myung declarou nesta quarta-feira (07/01) ter tido progressos no que diz respeito à restauração de confiança com a China durante seu último encontro com o homólogo Xi Jinping há dois dias, em Pequim. O mandatário ainda revelou ter solicitado diretamente à autoridade chinesa para que desempenhasse um papel mediador na aliviação das tensões com a Coreia do Norte.

“No momento, todos os canais entre as duas Coreias estão cortados. A confiança desmoronou completamente, e só resta hostilidade. Embora estejamos fazendo esforços, a comunicação (com Pyongyang) em si é impossível nessa situação de total isolamento, por isso disse que seria útil se a China pudesse atuar como mediadora”, informou Lee à imprensa, em coletiva abordando os temas discutidos na sua última visita de Estado.

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Segundo Lee, Xi expressou reconhecimento dos esforços passados de Seul e enfatizou a necessidade de mais paciência para reatar relações com o líder norte-coreano Kim Jong Un.

“A hostilidade foi se acumulando por muito tempo, e para que isso seja aliviado e o diálogo retome, será necessário muito tempo e esforço”, disse o sul-coreano. “Um papel dos países vizinhos também é necessário. Fiz esse pedido à China, e a China disse que tentaria fazer esforços”.

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O presidente contou ter ressaltado ao seu homólogo chinês que a Coreia do Sul mantém o objetivo de longo prazo da desnuclearização da Península Coreana, mas que a ideia deve ser resolvida em fases, pois entende ser improvável que Pyongyang abra mão de todo o arsenal nuclear de uma só vez. Ainda a Xi, pediu que seu governo transmitisse a sinceridade de Seul à Coreia do Norte.

Vale lembrar que Lee Jae Myung, meses atrás, pediu para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assumisse a mediação para a paz na Península Coreana. O republicano aceitou a solicitação, e abriu possibilidade para uma reunião presencial com Kim, a quem o considerou um “amigo”.

Presidentes da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, e da China, Xi Jinping, se reuniram em Pequim
Yue Yuewei / Xinhua

Relações China-Coreia do Sul

À imprensa, o presidente Lee também revelou ter abordado com Xi o sentimento negativo crescente entre civis sul-coreanos e chineses, alertando que a hostilidade mútua, à longo prazo, causará danos significativos na relação bilateral.

“Eles são vizinhos próximos, unidos por um relacionamento do qual nenhum dos dois pode escapar, com enorme potencial”, disse. “Se nos excluirmos ou evitarmos uns aos outros, é em nosso próprio prejuízo. No entanto, os sentimentos anti-China e anti-Coreia têm piorado constantemente em ambos os países ao longo de um longo período, causando sérios danos a ambas as sociedades”.

Sobre isso, Lee também sugeriu que o governo de Xi resolvesse questões cotidianas que fomentam o sentimento anti-China em seu país, tais como as restrições à distribuição de conteúdo cultural coreano no mercado chinês. 

“Mesmo que não sejam políticas oficiais do Estado, elas ocorrem na prática. Se não forem melhorados, fornecem justificativa para ataques. Essas questões devem ser resolvidas rápida e visivelmente”, relatou. “O presidente Xi disse: ‘falar é fácil, mas agir não é tão fácil assim'”, destacou ainda o presidente sul-coreano, indicando que a construção de confiança mútua, apesar dos avanços, exige trabalho.