Terça-feira, 2 de junho de 2026
APOIE
Menu

A promessa do governo japonês de reduzir a zero o imposto sobre vendas de alimentos enfrenta um obstáculo inesperado: as próprias caixas registradoras do país.

A primeira-ministra Sanae Takaichi, que venceu as eleições de fevereiro pelo Partido Liberal Democrata (PLD), prometeu suspender temporariamente a taxa de 8% sobre produtos alimentícios como resposta à crise do custo de vida, mas fabricantes e varejistas afirmam que os sistemas atuais não estão preparados para operar com tributação zerada.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Segundo empresas do setor, os equipamentos utilizados pelas grandes redes varejistas, responsáveis pelo processamento de pagamentos em dinheiro, cartões e meios digitais, foram projetados para trabalhar com alíquotas positivas e exigiriam uma ampla reformulação técnica para calcular uma taxa de 0%.

O debate ganhou até um apelido na imprensa japonesa: “reji-kabe”, ou “muro dos caixas”, expressão usada para descrever os obstáculos tecnológicos à medida. Críticos do governo acusam Takaichi de utilizar a dificuldade técnica como justificativa para adiar uma promessa eleitoral considerada financeiramente desafiadora.

Mais lidas

Sistema de caixas registradoras impede premiê japonesa de zerar imposto sobre alimentos
Cabinet Secretariat/Wikicommons

Promessa de campanha

A redução do imposto sobre alimentos foi uma das principais promessas defendidas pelos partidos que disputaram a eleição japonesa.  O manifesto do PLD previa zerar a cobrança por dois anos para aliviar o impacto da inflação e do aumento do custo de vida sobre a população.

Com o corte tributário, o governo japonês prevê um custo de cerca de 5 trilhões de ienes por ano, aproximadamente US$ 31,5 bilhões (R$ 158 bilhões).

Diante do impasse, o governo avalia uma alternativa intermediária: reduzir o imposto sobre alimentos para 1%, em vez de zerá-lo. A solução poderia ser implementada em cinco ou seis meses e diminuiria significativamente o custo fiscal da política.

Pressionada pela oposição a apresentar um cronograma concreto, Takaichi atribuiu o atraso diretamente às limitações dos sistemas comerciais. Ela classificou a situação como “uma vergonha para o Japão”.

“É no mínimo patético que não possamos sequer alterar as taxas de impostos de forma flexível quando ocorre uma pandemia ou um grande desastre”, afirmou.