Sistema de caixas registradoras impede premiê japonesa de zerar imposto sobre alimentos
'Vergonha para o Japão', diz Sanae Takaichi ao ver promessa de campanha bloqueada por dificuldades tecnológicas de equipamentos no mercado varejista
A promessa do governo japonês de reduzir a zero o imposto sobre vendas de alimentos enfrenta um obstáculo inesperado: as próprias caixas registradoras do país.
A primeira-ministra Sanae Takaichi, que venceu as eleições de fevereiro pelo Partido Liberal Democrata (PLD), prometeu suspender temporariamente a taxa de 8% sobre produtos alimentícios como resposta à crise do custo de vida, mas fabricantes e varejistas afirmam que os sistemas atuais não estão preparados para operar com tributação zerada.
Segundo empresas do setor, os equipamentos utilizados pelas grandes redes varejistas, responsáveis pelo processamento de pagamentos em dinheiro, cartões e meios digitais, foram projetados para trabalhar com alíquotas positivas e exigiriam uma ampla reformulação técnica para calcular uma taxa de 0%.
O debate ganhou até um apelido na imprensa japonesa: “reji-kabe”, ou “muro dos caixas”, expressão usada para descrever os obstáculos tecnológicos à medida. Críticos do governo acusam Takaichi de utilizar a dificuldade técnica como justificativa para adiar uma promessa eleitoral considerada financeiramente desafiadora.

Sistema de caixas registradoras impede premiê japonesa de zerar imposto sobre alimentos
Cabinet Secretariat/Wikicommons
Promessa de campanha
A redução do imposto sobre alimentos foi uma das principais promessas defendidas pelos partidos que disputaram a eleição japonesa. O manifesto do PLD previa zerar a cobrança por dois anos para aliviar o impacto da inflação e do aumento do custo de vida sobre a população.
Com o corte tributário, o governo japonês prevê um custo de cerca de 5 trilhões de ienes por ano, aproximadamente US$ 31,5 bilhões (R$ 158 bilhões).
Diante do impasse, o governo avalia uma alternativa intermediária: reduzir o imposto sobre alimentos para 1%, em vez de zerá-lo. A solução poderia ser implementada em cinco ou seis meses e diminuiria significativamente o custo fiscal da política.
Pressionada pela oposição a apresentar um cronograma concreto, Takaichi atribuiu o atraso diretamente às limitações dos sistemas comerciais. Ela classificou a situação como “uma vergonha para o Japão”.
“É no mínimo patético que não possamos sequer alterar as taxas de impostos de forma flexível quando ocorre uma pandemia ou um grande desastre”, afirmou.
























