Tailândia exige que Camboja seja primeiro a anunciar cessar-fogo na fronteira
Segundo Al Jazeera, porta-voz de Bangkok afirmou que Phnom Penh deve confirmar trégua por ser 'o agressor'
A Tailândia exigiu, nesta terça-feira (16/12), que o Camboja seja o primeiro a “anunciar o cessar-fogo”, em meio ao aumento das tensões na fronteira compartilhada, de acordo com a emissora catari Al Jazeera.
“Como agressor em território tailandês, o Camboja deve anunciar o cessar-fogo primeiro”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maratee Nalita Andamo, em uma coletiva de imprensa na capital tailandesa, Bangkok.
A autoridade exigiu também que o Camboja coopere “sinceramente” nos esforços para remover minas terrestres da fronteira compartilhada.
Já o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, disse, também nesta terça-feira (16/12) não haver pressão internacional por uma trégua no conflito. “Ninguém está nos pressionando. Quem está pressionando quem? Eu não sei”, disse ele, citado pela agência de notícias britânica Reuters.
O posicionamento do mandatário ocorreu após uma pergunta acerca da pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em ameaçar impor tarifas contra a Tailândia para que os combates sejam encerrados. O mandatário mediou um cessar-fogo para o mesmo conflito em junho passado.
Por sua vez, o Camboja não respondeu a exigência tailandesa.
Histórico de conflitos
Confrontos violentos eclodiram novamente, na primeira semana de dezembro, na fronteira entre a Tailândia e o Camboja, em meio a acusações mútuas de violação do cessar-fogo acordado em julho passado.
Bangkok declarou que as tropas cambojanas abriram fogo contra seus soldados na província de Ubon Ratchathani na madrugada de 8 de dezembro, “resultando em um soldado morto e quatro feridos”.

Primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, disse não haver pressão internacional por uma trégua no conflito
FC Anutin/Facebook
Entretanto, Phnom Penh afirmou que as forças tailandesas lançaram um ataque contra suas tropas nas províncias fronteiriças de Preah Vihear e Oddar Meanchey, acusando a Tailândia de “disparar vários tiros de tanque contra o templo de Ta Muen Thom” e outras áreas próximas ao templo de Preah Vihear, localizado em território disputado.
A disputa combina elementos históricos não resolvidos, visto que a fronteira entre a Tailândia e o Camboja foi demarcada pela França em 1907, ainda durante o período colonial, mas ainda apresenta diversas áreas não delimitadas, o que levou a confrontos ao longo dos anos.
A instabilidade da demarcação das fronteiras leva a soberania de templos antigos, como Preah Vihear, Ta Krabey e Ta Moan Thom, a ser disputada. Os templos são um dos fatores no centro do conflito, pois ambos os países os consideram símbolos de identidade nacional, o que transforma a disputa para além da questão territorial.
A fronteira também inclui áreas com potencial agrícola e importantes rotas comerciais, o que aumenta o interesse em controlá-las.
Uma nova fase do conflito eclodiu em 24 de julho, com acusações mútuas de quem havia disparado o primeiro tiro, resultando na morte de 43 pessoas de ambos os lados, incluindo vários civis, além de dezenas de feridos e o deslocamento de quase centenas milhares pessoas.
Após cinco dias de combates, representantes dos governos em guerra assinaram um cessar-fogo em uma reunião realizada na Malásia, mediada por representantes dos Estados Unidos e da China.
Trump admitiu em 10 de dezembro que o conflito entre Tailândia e Camboja, que “ele havia parado, voltou a eclodir” e prometeu “resolver tudo novamente”.
O Camboja levou a disputa territorial ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) no início de junho, justificando a ação como uma tentativa de encontrar uma solução pacífica com base no direito internacional, enquanto a Tailândia defende um acordo bilateral.
(*) Com Prensa Latina, RT en español e Sputnik
























