Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
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A tensão voltou a explodir na disputada fronteira entre Tailândia e Camboja nesta segunda-feira (08/12), com ataques aéreos de Bangkok contra posições cambojanas após confrontos que levaram à morte de um soldado tailandês e quatro civis cambojanos.

Segundo informações da Al Jazeera, os dois governos apresentam versões conflitantes sobre quem iniciou os combates, reacendendo temores de ruptura do acordo de cessar-fogo firmado em 26 de outubro.

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De acordo com o porta-voz militar tailandês, general Winthai Suvaree, aeronaves foram acionadas na província de Ubon Ratchathani para “neutralizar” disparos vindos do território cambojano durante a madrugada. Segundo o Exército tailandês, as tropas do país vizinho começaram a atirar por volta das 5h05, horário local, e duas horas depois, foi confirmada a morte do militar.

O Camboja rejeita a versão. Em comunicado divulgado no Facebook, o comando militar cambojano acusou Bangkok de ter executado o primeiro ataque, alegando que as forças do país apenas observaram os movimentos tailandeses após “dias de provocações”. Segundo o ministro da Informação, Neth Pheaktra, os bombardeios tailandeses mataram ao menos quatro civis e deixaram dez feridos nas províncias de Oddar Meanchey e Preah Vihear.

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Trégua

As agressões desta segunda-feira (08/12) ocorrem menos de 24 horas após outro breve confronto em Sisaket. Mais uma vez, cada lado responsabilizou o outro pela troca de tiros. O exército tailandês relatou dois soldados feridos e afirmou ter reagido de forma proporcional. O Camboja insistiu que não retaliou e que apenas testemunhou a ofensiva tailandesa.

A reativação das agressões acontece após um cessar-fogo que, em julho, interrompeu cinco dias de combates que deixaram 48 mortos e deslocaram temporariamente cerca de 300 mil pessoas. O acordo ampliado de paz foi assinado em outubro em Kuala Lumpur, sob mediação do primeiro-ministro malaio Anwar Ibrahim e com a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Tailândia lança ataques aéreos contra o Camboja após confrontos na fronteira
MSgt. Cohen Young / Wikimedia Commons

Ainda assim, o pacto foi suspenso unilateralmente pela Tailândia no mês passado, depois que um de seus soldados foi mutilado por uma mina terrestre que Bangkok atribui ao Camboja — alegação negada por Phnom Penh.

Falando em rede nacional, o primeiro-ministro tailandês Anutin Charnvirakul afirmou que o país “não busca violência”, mas que reagirá sempre que julgar sua soberania ameaçada. “A Tailândia jamais iniciou um ataque, mas não tolerará violações de suas fronteiras”, disse.

O governo cambojano, por sua vez, declarou que pretende evitar a escalada e continuar respeitando acordos anteriores. O Exército disse que não respondeu a nenhum dos dois episódios mais recentes de violência e que permanece em “máxima vigilância”.

O ex-primeiro-ministro Hun Sen, figura dominante na política cambojana e pai do atual premiê, pediu às tropas “paciência”, acusando as forças tailandesas de tentarem sabotar o processo de paz.

Deslocamentos

A deterioração do cenário obrigou novos deslocamentos, informa a agência catari. Segundo a Segunda Região do Exército da Tailândia, cerca de 35 mil pessoas foram retiradas de vilarejos próximos à linha de fronteira. No lado cambojano, autoridades de Oddar Meanchey informaram que moradores fugiram para áreas consideradas mais seguras, e escolas permaneceram fechadas devido aos riscos.

Tailândia e Camboja disputam, há mais de um século, áreas não demarcadas ao longo da divisa terrestre de 817 quilômetros estabelecida em 1907, quando o Camboja era administrado pela França.