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Matéria atualizada às 02h47, 20 de agosto de 2026

A chefe do Departamento de Assuntos Gerais do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, Kim Yo Jong, indicou desconhecer sobre as supostas comunicações alegadas pelo presidente norte-americano Donald Trump com o seu irmão, o líder norte-coreano Kim Jong Un. Em comunicado emitido nesta quarta-feira (19/08), Yo Jong também reforçou que a “política hostil” dos Estados Unidos não mudou, e que os exercícios militares que ameaçam a soberania de seu país seguem em curso. 

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“Em relação às recentes notícias vindas de Washington sobre as trocas de mensagens entre os líderes da Coreia do Norte e dos Estados Unidos, não tenho absolutamente nenhum conhecimento das mesmas”, afirmou ela.

O posicionamento se dá um dia após as autoridades sul-coreanas e norte-americanas confirmarem a interrupção do treinamento militar conjunto Ulchi Freedom Shield (UFS), um dos maiores exercícios anuais realizados pelas forças aliadas, conforme o pedido de Trump – este que foi recebido com “surpresa” pelo governo asiático.

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Segundo o republicano, que prometeu reduzir “substancialmente” a cooperação militar com a Coreia do Sul – após a negativa do presidente Lee Jae Myung de se aliar na guerra contra o Irã –, Kim Jong Un tem supostamente respondido às investidas dele ao longo do segundo mandato na Casa Branca e ambos teriam chegado a um estágio “muito positivo” nas conversas. A narrativa, porém, foi desmentida por Kim Yo Jong.

Durante uma coletiva na Casa Branca nesta mesma quarta-feira, Trump anunciou que deve se reunir com o líder norte-coreano ainda este ano. Pela primeira vez, o republicano citou números específicos para o arsenal nuclear norte-coreano, destacando à imprensa que Pyongyang possui 57 armas nucleares “muito poderosas” e que este é o motivo pelo qual tem se sustentado, segundo ele, as relações “boas” com Kim.

“E sabem que mais, o fato de eu me dar bem com ele é uma coisa boa, não uma coisa má. Ele tem 57 armas nucleares muito poderosas. Nunca se deveria ter permitido que isso acontecesse”, declarou. Na quinta-feira (20/08), o Ministério da Defesa sul-coreana estimou que Pyongyang armazena entre 80 a 120 armas nucleares.

“Conheço muito bem Kim Jong Un e ele vai ficar bem”, destacou o chefe de Estado. “Enquanto tivermos um presidente inteligente, ele vai ficar bem. Se tivermos um presidente estúpido, então provavelmente já não vai ficar tão bem”.

No dia anterior, o The Wall Street Journal havia noticiado sobre o mandatário norte-americano estar pressionando seus assessores para que um encontro pessoal com o líder norte-coreano pudesse acontecer em sua próxima viagem à Ásia. Caso fosse aceito, a expectativa seria que as conversas acontecessem à margem da cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) sediada pela China, em Shenzhen.

Donald Trump anuncia planos para se encontrar com Kim Jong Un até fim de 2026
The White House/Molly Riley

Em outra coletiva, levando-se em consideração um cenário de desgaste diplomático com Seul, Trump foi questionado se o desejo de reengajar com Kim tem como objetivo a busca pela desnuclearização norte-coreana. O republicano, diferentemente de suas manifestações públicos a respeito deste assunto, no passado, recusou-se a responder. 

“Não quero falar sobre isso, mas tenho uma boa relação com Kim Jong Un, como você sabe”, disse. “Ele não gostava do (Joe) Biden. Ele não gostava do (Barack) Obama. Ele não gostava de ninguém, mas gosta de mim”.

O presidente norte-americano voltou a reiterar sua antipatia pela relação com a Coreia do Sul e os exercícios militares direcionados à Coreia do Norte, que ele descreveu como “muito insultuosos para alguém” que, em sua avaliação, foi “muito bem comportado”.

“Não vejo nada acontecendo por certamente dois anos e meio. Isso não vai acontecer comigo, mas não vejo nada acontecendo”, acrescentou.

Reiterou, novamente, seu incômodo pelo fato de Seul ter se recusado a ajudar militarmente na guerra contra o Irã – difícil conflito que se arrasta desde 28 de fevereiro após ataques norte-americanos e israelenses e que tem afetado o comércio global de petróleo com o bloqueio retaliatório do Estreito de Ormuz.

“Não fiquei feliz quando a Coreia do Sul disse que não, que não está interessada em nos ajudar com o Estreito de Ormuz, e mesmo assim recebe 60% do petróleo do Estreito de Ormuz”, disse.

Ao longo de seu primeiro comando à frente do Executivo norte-americano, Trump realizou três reuniões bilaterais com Kim Jong Un: o primeiro em junho de 2018, em Singapura; o segundo em Hanói, em fevereiro de 2019; e a última na fronteira intercoreana de Panmunjom, em junho de 2019.