Quinta-feira, 3 de setembro de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou ter ordenado o secretário de Defesa, Pete Hegseth, a reduzir “substancialmente” os exercícios militares conjuntos entre suas tropas com as da Coreia do Sul, apontando que as ações não comente poderiam ser “custosas” como também configurar um “sinal totalmente inadequado e hostil” à Coreia do Norte. 

A declaração do mandatário norte-americano foi feita virtualmente horas antes do exercício anual Ulchi Freedom Shield (UFS), previsto para ser iniciado nesta segunda-feira (17/08), na capital Seul. Nos dias anteriores, Pyongyang lançou dois mísseis balísticos e a chancelaria norte-coreana emitiu uma declaração prometendo que fortalecerá sua dissuasão nuclear diante das ameaças fomentadas pelo Ocidente.

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“Com base no meu excelente relacionamento com Kim Jong Un, da Coreia do Norte, não estou satisfeito com o fato de que os Estados Unidos, há muito tempo, concordaram em participar de Exercícios Militares Conjuntos com a Coreia do Sul”, escreveu o republicano na plataforma Truth Social.

“Esses exercícios não são apenas custosos, com grande parte desses custos pagos pelos Estados Unidos da América (como sempre!), mas também enviam um sinal totalmente inadequado e hostil para um país que, desde que Donald J. Trump é presidente, tem sido inofensivo e respeitoso”, acrescentou. “Assim, eu instruí o secretário da Guerra (Defesa), Pete Hegseth, a substancialmente reduzir os exercícios militares conjuntos!”.

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Na mesma postagem, Trump revelou ter perguntado ao presidente sul-coreano Lee Jae Myung se gostaria de se juntar a Washington nos esforços para a desnuclearização do Irã. No entanto, a autoridade asiática teria recusado o pedido.

“Ainda que de alguma maneira sem correlação (?), recentemente pedi ao presidente da Coreia do Sul se ele gostaria de se juntar a nós na desnuclearização da República Islâmica do Irã, e eles disseram ‘não, obrigado!'”, contou o mandatário norte-americano.

No dia anterior, Trump havia publicado em sua rede social uma antiga foto com Kim Jong Un, na vila fronteiriça intercoreana de Panmunjom, em 2019, alegando que ambos “se dão muito bem”.

“Apesar da aparência pouco amigável nesta foto em particular, há muitas em que estamos sorrindo, Kim Jong Un e eu nos damos MUITO BEM!”, escreveu.

O treinamento Ulchi Freedom Shield foi anunciado pelo Comando das Forças Combinadas no início da semana passada. A operação conjunta desta edição deve durar até a próxima quinta-feira (27/08). Esta edição, em particular, foi anunciada pelo coronel Ryan Donald, diretor das Forças Armadas norte-americanas na Coreia do Sul como tendo características adaptadas, uma vez que deverão ser incorporados táticas para combater drones, interruptores de GPS e ataques cibernéticos.

“Soldados da República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte) foram enviados à Ucrânia e combateram no país, e trouxeram de volta à Coreia do Norte as lições que aprenderam lá”, disse. “Isso altera a capacidade da RPDC, e nosso treinamento leva essa ameaça em consideração”.

Pyongyang reagiu e alertou contra “o grave cenário de confronto criado pelos Estados inimigos”. “Os Estados Unidos anunciaram que os próximos exercícios são bastante diferentes dos dos últimos cinco anos e têm como objetivo dominar a capacidade de lutar com base nos novos aspectos de uma guerra moderna”, disse a chancelaria norte-coreana. “É nosso princípio consistente garantir a segurança e responder a um novo nível de ameaça com um novo nível de dissuasão”.

Lee Jae Myung propõe ‘fim da guerra’ ao Norte

No sábado (15/08), no marco do 81º aniversário do Dia da Libertação da Coreia do domínio colonial japonês, o Gwangbukjeol, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung, em discurso, propôs a Pyongyang um diálogo para encerrar formalmente a Guerra da Coreia e estabelecer um regime de paz. Após o conflito de três anos, ambos os países cessaram os confrontos bélicos devido à assinatura de um tratado de armistício, o que não equivale a um acordo de paz. Ou seja, as nações vizinhas seguem tecnicamente em guerra.

Até à noite de domingo, a Coreia do Norte não havia respondido às declarações de Lee. As agências estatais norte-coreanas, como a KCNA e o Rodong Sinmun, que repassam as declarações oficiais do governo de Kim Jong Un, não haviam publicado nenhum comentário à respeito. Por outro lado, publicaram os eventos comemorativos realizados em território nacional por ocasião do aniversário do Gwangbukjeol, com imagens de cidadãos visitando estátuas dos falecidos líderes Kim Il Sung e Kim Jong Il, avô e pai de Kim Jong Un, respectivamente.